Flávio Silver

É notável as coisas mudas que dizemos - flavio silver - 09Jul2008

Uma vida inteira a sentir o peso da mão. Um gosto intenso a saber a sal. As suas lágrimas: depósitos de águas sujas: na sua face já nem a maquilhagem se lhe pega.
Há quem não acredite que o destino esteja traçado. Por eu não acreditar no futuro é que não tenho conta no mercado. Sabe-se lá o que virá depois.

Na mulher sente-se uma aridez, a sombra de um corvo que espera a hora H de ela tombar. Casou há vinte anos mas nem por isso sabe dominar o tempo. Conta o tempo de existir com um nó no pescoço cada vez a apertar mais, a deixá-la sem respiração.

É notável as coisas mudas que dizemos. Construimos um império de vozes dentro de cada precipício das veias. Já o seu dia-a-dia não é tão poético quanto a vida de um poeta que num lago inventa estrofes e recria uma paisagem com cores naturais.

De volta à mulher, à pessoa que tem a seu lado na cama alguém que não merece que lhe pronuncie o nome, alguém que joga cartas até altas horas da noite, embriaga-se, gasta o que tem, o que não tem, ri-se perante os amigos e, quando roda a chave no buraco da fechadura, já o silêncio, o sono de um dia cansado, está sendo maltratado. Deita-se na cama como o porco na lama, meio vestido, com suores de besta horrenda.

A mulher dorme na calma de quem precisa de percorrer o sonho, em cómodas respirações. O seu marido, pelo contrário, quer puxá-la para si, violá-la com a força dos bagaços, com desejos contrários à calma de uma nascente.
E aqui que começa o tricotar do inferno. Ela rejeita-o como o padre rejeita ouvir o pecador que ainda por cima é bombista.
- Chega-te para cá minha puta!

A mulher conta a esperança pelos dedos magoados da enxada, pede a Deus um caminho mais a direito.
Mas ele é um brutamontes e despe-lhe a camisa de dormir numa força que jamais será cálculo de balança. Cospe-lhe na cara se for preciso. Quer o seu sexo porque quer. O seu querer é um bastante para que o tenha.

A mulher, que aos domingos se envergonha por ter a cara desmanchada, com um tom de rosa escuro, que denuncia que o seu corpo pesa mais de um lado do que do outro, entrega-se por fim ao destino de ser mulher desfeita.

Foi como se rio avançasse sobre a cidade. Ele em acto de cobrição animalesca, e ela, de olhos fechados, implorando todos os lamentos ao mais sério dos deuses.
A noite passou, o dia começou com as rodas dos automóveis sobre o asfalto de terra batida, a acordar quem dorme e quem sonha.
Excepto uma pessoa: o homem, que eu decide não lhe dar um nome nem tão pouco uns olhos para ver quem somos, o que fazemos, o que podemos fazer enquanto ele dorme, enquanto a sua mulher por graça ou por desgraça sente o peso da enxada, nas mãos, que escureceram com o incumprimento de uma promessa, que é agora, é já que o destino sopra com mais intensidade. Sente mais uma vez a enxada.

Ao homem que lhe não lhe dei olhos, não dei ouvidos, que o pus dormir como uma besta no mar alto, a não imaginar sequer. Que não lhe dei horas para acordar. Mas à mulher sim, dei-lhe uma enxada, um grito, uma vontade de cumprir a sua promessa e resolver o seu destino de uma vez por todas. Silêncio. não faças barulho. Escuta. A mulher entrou no quarto. Que fica de frente ao quarto do menino.
Dei-lhe a enxada para a mão.
Não me culpem se o golpe não ferir.
Quatro três dois um. Fim de uma vida inteira a dizer sim eu faço, sim eu vou, sim senhor qualquer coisa. Depois de um grito mudo, uma música electrónica pôs-se em on.


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=43451

cada boca tem a sua verdade, a sua sentença - flavio silver - 08Jul2008

Hoje é novo dia. como será novo também o dia de amanhã. A sucessão dos dias sempre iguais ao que será o de hoje. Portanto, este dia é o dia de mais um dia. Com sol a surgir da rectaguarda, subindo a prumo num equilíbrio perfeito.

Conhecemos melhor os dias do que conhecemos as noites. Os dias não se apalpam, já as noites sim, temos de ir mais devagar para que o escuro não nos toque em sobressalto. De noite há máquinas que param, o sono divaga pelas ruas, as almas cruzam-se e dizem olá como vais. De dia produzimos riqueza bruta para os patrões, suamos que nem uns camelos.

O homem, que não é meu amigo, que só ouvi falar dele por palavras roucas que me chegaram, adquiriu um vício: passa os dias a escrever, e à noite, ao contrário dos que afirmam que o homem uiva que nem um lobo faminto, ele olha as estrelas como um pai que assiste ao parto da criança que está para nascer.
Não me perguntem como é que ele aguenta dias e dias sem comer, sem ter uma moeda para gastar em pão. As palavras não matam a fome.
Ou será que a ele matam?!

O homem escreve para a gaveta, acumula versos em cima de versos como o senhor da adega empilha as garrafas de vinho, encostadas às paredes frias.
Qualquer dia morre num canto, dizem os vizinhos que, por entre as sebes do muro alto da casa do homem, tentam adivinhar o seu processo de vida. Ou morte?! Mas quase sempre em vão. Pois o homem não tem tempo para a luz do dia.
Deixa-se ficar agarrado à sua velha secretária fazendo prosas que poderá um dia, quem sabe, ou talvez ninguém saiba, para ensinar muita gente enganada.

Há quem ache que ele ficou assim porque uma rapariga do Sul deixou-o, e ele, coitado, teve como sorte a solidão e o silêncio no mesmo copo de vidro.
Agora dedica-se à construcção de palavras, ao ofício duro de ser homem prestes a ser esquecido.

O progresso não está para aturar pessoas que imaginam demais, alguém que pensa que passar os dias a escrever para não sei quem, para não sei o quê, está automaticamente posto de lado.

Os vizinhos deixaram-se de se preocupar com o estado de magreza do homem que, pela sequência dos dias, deverá caber à larga nas camisas dos anos anteriores. Cada vez encolhe mais o seu corpo que qualquer dia vai deixar de o ter. Mas já não o avisam mais.
- A literatura que lhe dê de comer! Se é assim que ele quer, assim o terá!

A incompreensão sempre foi uma mulher muito mal adorada, muito batida. É bem mais fácil apontar um dedo e indicar para que lado vai a solidão.
Mas o que ninguém sabe é que o homem não se derrota, continua na sua, escrevendo, escrevendo, gastando esferográficas e lápis, e ninguém sabe o quê e para quem ele escreve.
- Talvez esteja possuido pelo demonónio, esse pobre genérico de homem!

Foi a vinte e cinco de junho, precisamente, quase onze da noite, quase a virar mais um dia, quase uma estrela metida no coração do homem que se pôs a dançar no parapeito da janela do seu primeiro andar e escorregou contra o destino do chão duro.
- Bem feita! – Disseram os vizinhos assim que souberam a notícia que de tragédia só tinha o tempo que iam desperdiçar para acompanhar o morto ao cemitério.

Como a curiosidade é uma santíssima bisbilhoteira, algumas pessoas quiseram investigar os papéis, as gavetas, os poemas, as prosas que o agora defunto deixara como prova da sua solidão.

Entraram na casa como quem vai pegar num par de frangos. Invadiram a pausa da música silenciosa como quem lança um riso ao condenado. Cuspiram à entrada da casa como quem deita a língua de fora a um outro que vai na estrada.

Entraram. Surpervisionaram o espaço com olhares a fazer bico. Tentando compreender as palavras escritas nas paredes, no chão, no tecto. Palavras escritas com toda a espécie de tinta, inclusive sangue. palavras que se movimentavam da sala para o quarto e do quarto para a cozinha.
Sentiram medo as pessoas que por ganância quiseram saber a revelação do segredo.
Havia umas letras que se sobressaíam, eram os seus nomes, dos que lá estavam a invadir o mestre do silêncio. Temeram. Como a rapariga temeu aos quinze anos quando se ofereceu por engano a um rapaz sabido. E logo depois se arrependeu.

O senhor João ficou a saber numa frase no rodapé que a sua mulher, que ele julgava que ela lhe tinha jurado amor eterno, afinal não era bem assim. Quis apagar o que estava escrito, mas em vão. Quanto mais tentava apagar mais verdades nuas e cruas se lhe vinham aos olhos.

O senhor Augusto ficou a saber ali, que fora a tinhosa da Matilde que envenenara o seu gato naquela noite de Dezembro. O senhor Artur chorou quando soube pelas palavras lá inscritas que a sua filha afinal era do senhor da loja dos cactos. Todos tentaram de uma forma ou de outra arrancar as palavras, aquelas verdades que diziam serem mentiras.

Tentaram derrubar as paredes, tentaram levantar o chão mas, como disse, sempre em vão. Porque a verdade é sempre uma verdade. Embora doa, a verdade tem mais precisão que um canhão apontado, mesmo sem disparar.

Outros que lá entraram, sem machucar a ordem silenciosa das coisas, sem despertar a aranha que dormia na corda das palavras, a esses, as palavras espalhadas pela casa brotavam cheiros a rosas e pinhos, explicava os medos com sorrisos, dava-lhes asas se fosse essa as suas vontades, se fosse esse o seu respeito.
As pessoas que esperavam cá fora para saberem mais notícias, perguntaram:
- Então sempre é verdade que o homem era tolo ?

Ninguém respondeu. Pois cada boca tem a sua verdade, a sua sentença. Concordas?


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=43263

a sensibilidade não constrói os armazéns das fábricas! - flavio silver - 07Jul2008

Comecemos. Como começa o rapaz a conhecer o seu corpo. As suas novas medidas. O tamanho do seu sexo, que já não é a sua mãe a lavá-lo. Agora tem de ser ele. Tem de ser ele porque cresceu. E quando as pessoas crescem têm de ser elas a tomar delas. Era um rapaz qualquer, podia ter sido eu, podia ter sido aquele velho ali sentado a ler o jornal de trás para a frente. Podia ter sido o homem que varre a estrada antes de ser o homem que varre a estrada e ser ele este rapaz, que um dia se pôs a olhar o seu corpo e se foi conhecendo e tomando as suas rédeas.

Ele quinze anos, não é dos acham que a velhice é uma distância, não usa livros debaixo do braço porque dizem que só as meninas é que andam bem arranjadas é só elas é que devem levar os livros na pasta, que todo o ano cheira a novo. O seu pai também levou os seus livros debaixo do braço. Lembra-lhe. Dá um certo estilo à rapaziada, e elas, adoram esse toque de masculinidade, tal como ter borbulhas no rosto.

Ninguém sabe o sabor de um beijo antes de dar o primeiro. Ninguém imagina a dor da perda sem que antes o destino pregue uma rasteira e retire alguém à força do seu sítio reservado na mesa de jantar. Só depois dos acontecimentos é que podemos classificar. Até lá, vamos dando palpites.

O rapaz é ainda muito novo, sofre de incompreensão só porque gosta de ler poesia.
O seu pai acha que a poesia é para as raparigas que usam vestidos vermelhos e cheiram flores no jardim, em bicos de pés. Ele devia era ler assuntos de política ou estar a par das jornadas do campeonato de futebol de todas as divisões.
- Poesia?! Só faltava mais essa! A sensibilidade não constrói os armazéns das fábricas!

A sua respiração tremia como quem mexe à bruta nas águas paradas do tempo, como quem por ignorância, mata a abelha rainha ao sair da colmeia.

O rapaz foi crescendo, crescendo, até ao ponto de não caber nos dias e só frequentar a noite, as luzes coloridas dos bares, o devorar dos sons como quem por fome trinca uma maçã.

Ele tinha um sonho. Os sonhos não são para contar. Dizem que dá azar. Pois se o contarmos, deixa de ser sonho e passa a ser uma vaidade, um acto de querer imitar os outros. Guardar um sonho é roer as unhas de Deus até que Ele sinta a nossa fome de querer. O Rapaz, que já é grande, acha que assim é. Por isso guarda-o, como o amante guarda o número de telemóvel da sua amante, na cabeça. Assim não há provas de um eventual fracasso. Sonhar não tem lei nem regras.

Mas o rapaz tem um pai que detecta sonhos que acha que são maus. Um dia viu o seu filho em casa vestido de mimo, produzido tal qual um palhaço triste, a falar para o espelho e, sacudiu-lhe forte o corpo.
- Os homens querem-se rudes e com poucas expressões, ouviste?!

O rapaz saiu de casa sem dar explicação. Dizem que andava por aí a grafitar paredes com palavras de insulto aos ministros. Perdeu a sua vaidade de compôr o seu risco ao lado e, andava sujo e mal vestido.
Um dia conheceu uma pessoa importante do teatro em que esta levou-o a conhecer outra pessoa e mais outra e, da rua para o palco dos teatros foi um estalar de dedos. Depressa deu nas vistas com seus dotes de representação, do anonimato à critica de imprensa nacional foi a sensação de que apenas fechou e abriu os olhos.

Começou por receber cartas em casa de pessoas que o admiravam, elogios de certos senhores com trato de doutor, mas, numa dessas cartas, meia escondida, havia uma outra que se destacava das demais. Uma carta sem remetente, escrita com letra tremida, escrita a custo, de alguém que se arrependera, talvez. Pegou na carta, tentou adivinhar o seu interior colocando-a de frente para a luz.
Percebeu uma palavra.
Uma única palavra.
Uma palavra que amava e deixou de amar. Qualquer coisa como “pai”. Não abriu a carta nem contou nada a ninguém. Deitou a cabeça na secretária e dormiu mais um bocado na esperança que o sono apague o caminho do fogo.



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=43085

ó meu velho e querido soro dos afectos! - flavio silver - 26Jun2008


Podes ter saúde, uma casa de campo no centro da cidade.
Podes ter um canudo e seres digno de uma inteligência.

Mas se não tens bons tintos sobre a mesa,
Copo cheio de sangue da terra,
Textura como quem sente a mulher que se ama,
É o mesmo que não teres nada.

Ó vinho, ó Deus do paladar! Qual Bach para os ouvidos! Qual linho nos corpos!
Tu és a ciência das tabernas. Dos homens que vão ao mar e à noite se amam em redor das mesas.

Um bago teu desonra qualquer mestre de joalharia. Porque és cristal descendente do orvalho. Relíquia que Baco arrancou do peito.
Nas tuas ramadas fiz um poema triste que se alegrou à tua nascença.
Esperei por ti no mês de Novembro qual mãe já tem nome para criança antes de lhe saber a cor do sexo.

Só tu me tocas nos lábios em doce sabedoria e falo de astros como ninguém.
O teu húmus é a minha oração. Sobre a tua levedura erguem-se altares luminosos. E eu não sou mais que um poeta com palavras feitas em mosto,
um homem como o Ti Manel e a Dona Tiana que trocam os pés debaixo da mesa antes e depois de tingerem os cantos da boca com um sol poente.

Podes ter um pássaro livre ou um passaporte para voar.
Podes ter um colar que dê três voltas ao pescoço.
Mas se não tens nobreza dentro de um copo de vidro,
Calor natural idêntico ao bafo dos animais,
É o mesmo que não teres nada.

Ó vinhos! Ó ponte dos homens rijos! Sem ti não havia amanhecer, os corpos murchariam devagavar e a jorna seria os fios que atam os fardos.
Gosto do teu silêncio prateado, da forma como bailas no côncavo da minha boca, dos segredos que trazes da terra.
Fosse os meus braços uma videira que dá uva todo o ano.
Assim, abraçaria todos os homens da terra,
falava-lhes de promessas verdadeiras e, à noite,
quando os pirilampos se confundem com os contornos dos teus bagos,
amaria todas as árvores sacrificadas para haver mesas e, sobre elas,
tocávamos os lábios e matávamos a sede aos peixes que nadam no supremo cálice do amor.

Ó vinhos capazes de retirar os espinhos de Cristo!
Senhor dos frutos que do sangue da terra fez um império!
O teu pecado original é o corpo que encerra o verão e abrigas os amantes na sombra das tuas ramadas.
Ó vinhos! Ó túnicas do amor que me lembram reis!
Ó dor! Ó sorte! Na tua concepção o vento não tem nada a dizer!

És poema universal, ópio que aquece os corações. Até os corações dos bandidos!
Todos te querem, ó vinhos que explusas meu sangue! Sorver a tua longa luz onde o sol é senhor mandatário.
Agora é noite, as estrelas estão a chegar, o cão está a guardar a casa.

Tenho silêncio, tenho filhos que dormem e sonham com casas no mar.
E tenho vinte minutos que são vinte mil voltas ao coração. Vou encher o copo com a tua líquida semente. Com o sangue das coisas vivas.

Vou deitar a cabeça na mesa. Vou sonhar que amanhã será outro dia igual a este. Vou dizer-te o quão me tocas na fantasia, ó meu velho e querido soro dos afectos!



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=41895

o encantamento do corpo-cera - flavio silver - 26Jun2008

Talvez aquela linha a que chamámos horizonte seja um risco de faca. ou transumância dos rebanhos.

é possível imaginar uma cidade dentro de um micro-ondas. uma dor impressa a tinta-da-china. ou uma industria nas veias-cavas. disse o homem pouco antes de atingir o encantamento do corpo-cera. com um padre mesmo ali ao lado


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=41861

fosse o pensamento - flavio silver - 26Jun2008

Fosse o pensamento a esquina de uma mesa. a mancha de vinho na toalha. o sobreiro no seu descascamento. coisas fáceis de reparar no garageiro. pedaço de carne que o talhante resolveu dividir em partes.

fosse o pensamento um arco de romaria a andar de mão em mão. uma ventoinha de metal para afastar os pássaros esfomeados.

das pedras pensativas construiriamos a casa oval. poemas em vez de tijolos. um deus de cachimbo pagado em cada janelinha em vez do talento de chorar. o sangue enrolado numa mortalha. os cosmos a secar as varizes do tempo.

fosse o pensamento barro mole e cada homem mestre de olaria. com jarras na cabeça de um fundo fundo. para nelas cair as estrelas e não fazer sangue


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=41154

diga lá senhor - flavio silver - 26Jun2008

Era suposto os peixes beijarem-se na boca e esquecermos que existe um aparelho digestivo. era suposto não utilizar a terra para cobrir o morto e lembrarmos que o silêncio não se domestica.

era suposto um sonho à prova de intrigas e um ervaçal em vez de telhas. era suposto não se pôr os pés na lua para o poeta encher suas reservas.

diga lá senhor que na poltrona sofre oblíquo. que lei é essa de andarmos para aqui de joelhos no chão?


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=41099

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