José Torres
A terra dos porquês - josetorres -
Era uma vez na sua vez a Terra dos Porquês. Sociedade simples e perfeitamente organizada.Porquê era o chefe de estado e Porquê Porquê, o vice.
A hierarquia era simples: quem tivesse menos porquês a perguntar, mais alto subia na ordem do estado.
Porquê Porquê Porquê, era o tesoureiro do reino. Tinha uma única filha, que era Porquê elevada à 69ª, facto que embaraçava o homem do tesouro, pois fosse qual fosse a sociedade, este número era uma espécie de maldição. E nem sequer valia a pena perguntar porquê, na sua vez.
Um dia, aquele que geria as finanças do reino, perguntou à sua primogénita porquê?
Porque é que não fazia um esforço por sair da cepa torta, de ser, por exemplo um 68?
A filha respondeu-lhe que gostava de ser assim. Sem mais nem menos porquês.
O pai foi então pedir uma opinião ao Porquê Porquê Porquê Porquê Porquê, porque não se dava com o Porquê à quarta.
Perguntou-lhe como podia fazer para fazer sair a sua filha do 69ºposto.
Este respondeu literalmente:
- Meta uma cunha!
Sem mais porquês, meteu-se ao caminho. Foi falar com o Porquê Porquê Porquê Porquê, Porquê Porquê.
Este homem elevado à sexta, ponderou a solução, coçou o queixo e gesticulou:
- Sou Ministro do Ambiente, tenho que olhar pelos meus rebentos. Um desgraçado filho meu, teima em cobiçar o lugar, que é no fundo aquele que você, na vez da sua filha, quer destronar…
- Compreendo. - respondeu o tesoureiro da Terra dos Porquês, sem mais nada a perguntar.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=48921
Aquela que me amava pariu - josetorres -
Aquela que me amava, que procurou a minha casa para partilhar os meus afectos, que mo pediu de cabeça baixa; a mim e ao Paiva, que estava comigo nesse momento, pariu ontem 5 belos cachorros.A safada da boxer que me amava, já revelava algum embaraço, nos ultimos dias, e foram os meus filhos, que de olhos faiscando me contaram a novidade, estava ainda só o primeiro nascido.
Mais uma vez, esta casa revela toda a sua vocação de luz e vida, depois de há dois anos, uma Dalmata que me amava, ter dado à luz por duas vezes 11 cachorros...
Consegui por vinte e duas vezes que vinte e duas pessoas tomassem conta dos malhados, mas estou apreensivo relativamente a estes cinco.
Na aldeia, há uma solução rápida para estes casos: afogamento.
É uma espécie de controlo malvado da natalidade, que não me agrada.
Sei o papel que o cão desempenha na célula doméstica aqui do lugar, sei que vive amarrado por uma corrente a uma árvore ou poste uma vida inteira, mas os meus não.
Sei que sou criticado, sei que rogam pragas ao Gaspar quando acompanha os carros a ladrar, mas não sabem os outros que esta é a sua forma de afirmar o seu garbo e a sua liberdade.
E depois, o Gaspar é cão que ladra mas não morde. Aliás, como o dono.
Se algum dos amigos aqui quiser tornar-se amigo de um dos filhos da "Maluda", a cadela boxer que me ama, basta fazer-se à estrada...
A Bea e o Gonçalo não os largam, perante a conivência meiga da mãe, mas sabem que não nos pertencem.
Pertencem à vida e estão à espera de quem os ame.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=48598
Filho Adónis de um Deus desconhecido - josetorres -
Nunca foi aos Jogos Olímpicos, mas fugindo do touro, salta por cima de muros em estilo Flop, caindo de costas em colchão de palha no celeiro da quinta.Corre mais que o cão, seja em plano ou com obstáculos, e lança longe a vassoura que lhe metem nas mãos.
Levanta pesos bem medidos em sacos de ração, faz ginástica para apanhar as galinhas fugidas da capoeira. Pratica equitação numa égua coxa que nunca foi ensinada.
João Sem Nome, nunca foi aos Jogos Olímpicos, mas pedala como um desalmado para chegar à mercearia do povoado de recado cravado nas pernas, a cada vez que a voz de partida do patrão soa aos seus ouvidos como um tiro.
É rapaz novo ainda. Franzino porque come mal, voluntário à força do trabalho mal pago, por força de um destino sem progenitor conhecido. Filho de uma mãe que se perdeu no vinho, e nunca se encontrou em parte incerta que fosse.
A quinta é o seu estádio.
Por vezes, quando a imaginação lhe pede, solta-se dos sapatos rotos e calça-se de “bicos” de corrida, para voar pelos caminhos, qual pista sem marcações, qual gazela africana sem rumo, quase fugindo. Depois, regressa sempre com eles desapertados no pescoço, para se deitar com a noite, coroa de louros na cabeça. Glorioso. Feliz. Apesar de ficar instalado em colchão de feno e as telhas terem nome de estrelas.
Enquanto vai fechando os olhos, vai diminuindo o burburinho das bancadas, o aplauso mágico que o faz viver um sonho como se isso fosse a sua liberdade e o seu direito. Único.
Filho Adónis de um Deus desconhecido, que dorme no regaço da mãe natureza, João Sem Nome é feliz de se pensar grande, e isso é pensar mais alto, mais forte e mais longe.
As manhãs acordam-no pelo Galo altivo da frincha da janela de tábuas. Trazem um pedaço de broa nas fraldas e uma malga de leite quente nas tetas da dedicada Marinheira. É todo o alimento que precisa para sentir o cheiro ao novo dia, e chegar ao campo de treinos que é toda a paisagem que os olhos vêem.
Quando o sol se puser aborrecido no panteão que é celeiro, haverá mais um dia contado em cada passo de gigante, umas asas de Fénix na sua alma sempre renascida, um herói cuja vida nunca foi conhecida, mesmo sendo a vida sua amante.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=48407
Um mundo perfeito - josetorres -
…Era uma vez um mundo perfeito para os que viviam nele. As pessoas podiam aspirar a ser aquilo que quisessem, podiam confiar nas suas competências adquiridas, nas suas aptidões, e desenvolver o seu trabalho com prazer.
Não havia nele políticos, nem partidos, nem acólitos, nem servis, nem incompetentes, nem funcionários.
Não havia, porque cada um tinha a humildade de ser dono de si mesmo, membro igualitário de uma sociedade por acções, em que o produto a distribuir era feito de coisas tão palpáveis como amizade, solidariedade e progresso.
Cada um dos faltosos nesse mundo perfeito, era perfeitamente identificável nessa sociedade. Não se vestia de forma diferente dos outros, não se deslocava em bons carros, nem o compadrio era razão do seu sucesso. Antes pelo contrário, os sinais da sua fraqueza vestiam-no nu aos olhos de todos.
Mundo perfeito assim, só tinha um senão: O inimigo passado de cada um era agora seu irmão.
Muitos conseguiram-no, e os outros todos não.
…
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47834
Poemas ao vento - josetorres -
Escrevia poemas em pedacinhos de papel, apertava depois neles as emoções com um laço de fio norte. Prendia-os a balões que enchia com hélio, e que largava do telhado da casa.De cada vez que o fazia, subiam ao céu, rios e mares soltos por um fio, amores que movem montanhas por insuspeito pavio.
Dizia a si próprio, em cada um desses momentos, que o poema havia ganho pernas, que de tão livres, eram asas a cada instante, cumprindo cada um seu destino de vento e maré.
E repetia este gesto consoante escrevia, consoante se exprimia a cada vogal. Um balão um poema, uma viagem sem rota certa para acontecer.
Por vezes imaginava um alguém a quem caiu um poema seu no nariz. Imaginava a sensação de espanto, quiçá curiosidade que o faria desenrolar as letras, que faria saltar as emoções, lidos fossem os olhos.
Imaginava o camponês, o professor, o padre, o pastor, o poeta e o profeta, mais o idealista e o pragmático, o alegre e o sorumbático; em cada homem ou mulher, criança ou velho, fizesse isso diferença.
Imaginava que imaginava até.
E nunca pensou sequer em editar um livro.
Escrevia pelo vento.
Certo dia, o poeta que assim se exprimia, deixou de lançar balões do telhado da casa.
Já não escrevia que não fossem Actas de reunião, documentos standard da burocrática engrenagem onde se movia agora.
Fora promovido a inspector chefe dos estudos por fazer. Um cargo tão importante, que o futuro não adivinhava nenhum outro capaz de maior nobreza.
Embrenhou-se na rotineira certeza dos dias e esqueceu-se que se é poeta a vida inteira. Não se escolhe a data do nascimento, mas antecipa-se a morte em cada suspiro de letras, em cada balão de vida largado ao vento.
O passar dos dias criou nele uma espécie de sentimento de revolta, primeiro para consigo próprio, depois para com os homens de negro que povoavam as suas Actas de reunião.
As gravatas e os seus padrões faziam-lhe febre, mais as pastas atafulhadas de papéis, mais as secretárias e os computadores, mais os relógios.
…
Hoje não conseguiu ir trabalhar.
Passou toda a manhã junto do rio poluído da cidade onde vive, e achou fantástico o insólito voo baixo de uma garça rosada, que a determinada altura riscou os seus olhos fixos nas águas.
Afinal ainda havia esperança…
Escreveu um último poema, que largou numa garrafa arrolhada ao sabor da corrente.
…
Amanhã, quando os sinos dobrarem por si, e seu corpo inchado de água estiver finalmente editado na sacristia poluída da cidade onde vivia, talvez o destino de alguém se cruze nas suas palavras, ou talvez não…
E suba este texto aos ares de balão.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47419
Era um quase poema - josetorres -
Era um quase poema que salivava por um final pavloviano, daqueles que metem um cão sem dono, insensível a campainhas, mas que abocanha o bife das coisas por dizer.Era um quase estilo de vida, sem método aparente que não fosse armadilhar palavras como isco, que fizessem salivar um homem na necessidade de escrita.
Era o que ainda não era, o poema inacabado.
Uma mulher é sempre um ventre de coisas por dizer, e tomara que tâmaras sem dono florissem nos seus segredos. Os jardins da escrita cresceriam sem medos.
Salivo sempre por um final de poema. Minha boca de palavras de tâmaras por dizer, cruza-se no beijo narcísico do ventre que me gerou.
Morri no derradeiro dia em que nasci, pelas mãos de uma parteira que nunca mais vi, e
acredito piamente, que a parteira que me pariu é aquilo que ainda não escrevi e sou.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=46873
O Mário é Só ares - josetorres -
Um tipo assinar um livro é das coisas mais abomináveis que pode acontecer.O Mário assina os livros que tem na sua biblioteca.
É espantoso como este homem me persegue, mesmo eu não sendo uma primeira edição.
Senta-se na minha sala a sete chaves nomeando escritores mortos, e eu, que sei usar a minha inteligência, fecho-me propositadamente num ovo, e deixo que jogue bilhar comigo.
Livre.
Enquanto vejo a “dois” descalçando os meus olhos de fim de dia, vou-me poupando às novelas da vida real, e livro-me da estética milionária dos concursos.
Sinto-me limpo, porém o Mário da “dois” na minha sala não dá livros a ninguém.
Guarda-os para o neto que cursou história.
Eu tenho netos nos olhos.
Cataratas de que me safo pagando a um funcionário público com bigode que tenho sentado num dedo.
Muda-me lento de canal.
Veneza já viu uma morte entretanto.
O Mário nunca escreveu um romance, mas tenciona fazê-lo.
Já pode envelhecer tranquilo e ser Só ares.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=46731
A rapariga que falava com o vento - josetorres -
Nasceu numa terra que é cabeceira dos montes, enclave de verde e urze que se adivinha quando se dorme.Margarida assim era a flor dos olhos de seus pais.
Nasceu calada, o que provocou estranheza nos médicos, e foram precisas duas sapatadas bem pregadas no rabo para que acordasse da sua longa hibernação dos tempos.
Era graciosa a pequena. E quando os cabelitos começaram a despontar, logo se enrolaram em carrapito, conferindo-lhe uma graça que todos achavam peculiar, de olhos vivos, como lumes que brilhavam com luz própria no escuro, de uma serenidade nunca vista às estrelas.
Porém, da sua boca desenhada em alabastro, nem um som, nem um choro. Mesmo quando já tinha idade suficiente para articular palavras.
Os pais, ansiosos por se verem nomeados, nunca dos seus lábios ouviram as palavras mágicas, embora a pequena parecesse entender tudo o que lhe era dito, respondendo pelos olhos, que ganhavam cor e brilho em cada resposta dada.
Os médicos não encontravam justificação que à luz da ciência servisse para explicar tão curioso fenómeno. Não encontravam razões clínicas que deixassem tranquilos os progenitores.
Por isso, não foi de estranhar, que sendo gente simples do campo; habituada a exorcizar o mau-olhado e a agradecer ao senhor as dádivas que a natureza decide sem consultar o divino, se entregassem a rezas e práticas de ancestralidade garantida. Coisa quase certificada, como o leite ou o vinho.
Mas nada produzia o efeito desejado e quem pagava era o galinheiro, que via toda a galinha preta ser sacrificada, à moda de S. Bartolomeu do Mar.
Houve mesmo um Verão, quando já devia ter perto de 5 anos de idade, que a levaram até à simpática povoação do litoral de Esposende, onde todos os anos em Agosto a praia se transforma em romaria, os peregrinos em banhistas e os sargaceiros em enviados de Deus, num curioso ritual para afastar a gaguez e outros males.
Consiste a prática em mergulhar sete vezes os anjinhos nas águas geladas do atlântico, e depois com uma galinha preta nas mãos andar em volta da capela, pagando promessa.
Não resultou.
Continuou muda aquela Margarida bela, como mudas eram todas as flores do campo espreguiçadas ao sol, no sopro silencioso do vento através delas.
Sorria quando queria e também chorava. Lágrimas como seiva a escorrerem-lhe no rosto.
O seu maior prazer era correr descalça pelos campos, ou enfiar flores numa agulha ferrugenta, por um fio de liberdade que terminava atado no seu pescoço, ou nos pulsos, ornamentando-se numa espécie de cerimonial.
O dia terminava sempre da mesma maneira: Fitando os montes tranquila, sentada num penedo rombo, conhecido na povoação por cabeço da velha.
Ficava por longo tempo de olhar fixo no horizonte ondulado, imóvel, que até os pássaros vinham poisar no seu ombro, puxando fios dos seus cabelos com os quais construíam os ninhos nas primaveras repetidas.
Era sempre aí que a procuravam a cada vez que o cuco no relógio da sala, quase rouco das horas dadas, se impacientava pela demora.
E foi crescendo aquela Margarida. Viu o seu tronco ganhar graciosidade. As mãos finas como pétalas.
Uns seios redondos que tinham neles as formas dos montes, adolescentes como sempre serão as formas da terra, em perpétua mudança, em constante devir, fosse dada aos homens a fortuna da vida eterna para o poderem observar.
Continuava porém a sua boca larga apertada para as palavras. Dela ninguém ouvira algum dia que fosse um lamento, um anseio, uma cantiga de moça para espevitar os rapazes entretidos das fisgas.
Havia um na povoação de quem gostava. Chamava-se José. Eram colegas na escola, que Margarida frequentava com bom aproveitamento.
Apesar da limitação da oralidade, a jovem aprendeu sem que lhe tivessem ensinado. Conhecia todas as palavras, que juntava como por milagre em belos textos, prosas feitas de mil encantos, cheias da natureza generosa dos lugares.
Era a única forma que usava para comunicar com o mundo. Escrevendo.
Um verdadeiro milagre, diziam todos.
E foi pela escrita que um dia, passados alguns anos, comunicou o seu amor a José.
Depositou-lhe nas mãos uma carta com cheiro de feno, translúcida como as nuvens, onde letras desenhadas a azul se acotovelavam ansiosas pela boa nova.
José leu-a debaixo do castanheiro velho do largo. Letra por letra, palavra por palavra, e no final sorriu.
Procurou mais tarde a sua amiga pelos caminhos, até chegar junto do grande penedo, cuja forma se assemelhava a um rosto enrugado de mulher, de nariz verruguento e boca aberta.
Ali estava sentada no topo. Colar de flores ao pescoço, transparente num vestido fino de céu.
José acercou-se sem dizer palavra. Colou os seus lábios nos lábios doces de Margarida, dizendo tudo através daquele beijo.
Deixaram depois que as mãos fabricassem a seda com que se fecharam num casulo de amor eterno, descobrindo-se feitos um para o outro, de corpos colados num longo suspiro: O primeiro de Margarida.
Vivem hoje, felizes como borboletas na casinha branca que se avista da colina dos sonhos, e continuam a nascer crianças estranhamente caladas para lá dos montes.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=46561
Um quase soneto d’amor - josetorres -
Sei que sabem a especiarias os teus lábios,Os teus seios a laranjas acabadas de crescer.
Sei do aroma a cidreira no teu ventre
No cheiro quente dos dias por acontecer
E na geografia solitária dos astrolábios
Teu corpo é perdida carta de marear
Meu porto e meu destino de sempre
Mares nos olhos sem sair do lugar
Conheço-te como quem sabe o seu destino
A exacta hora de tudo o que faz falta saber
Conheço-te sem sequer te conhecer
E se me perguntas porque sofro em desatino
Semeando Nortes em cada pedaço de tino
Respondo-te pelo vento sem querer
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=46176
Sou um vaidoso que se inspira nele próprio - josetorres -
Sou um vaidoso que se inspira nele próprioUm bico de cegonha
Sou mais um caso de doping no ciclismo
Um sem vergonha
Por querer alcançar o céu
Queimei com álcool as asas do meu voyeurismo
Fiquei cego como se tivesse fumado ópio
Um sem vergonha
Sou eu próprio um vaidoso que se inspira
Em cadernos de linhas de ferro
Um batráquio que arrota quando respira
Um príncipe-sapo de lego
Um sem vergonha
Que pariu uma montanha e se sente um rato
Que pariu o rato que a montanha pariu
Que se sente
Como se deve sentir bem sentado
Todo que se sinta tentado a ser
Mais que as vaidades de ser amado
ESCREVER
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=46002


