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Poemas de ...

Testes










Luso-Poetas

def.JPG

(imagem da net)

***

sei ainda das flâmulas que s’agitam
ternurentas nas mãos nuas de crianças (lembras?...)

sei dos braços
das pernas
das velas
estultas
dos moinhos
feitos de papel impresso a sal … e Sol.
[eu canto o Sol
na sombra que se encosta à hora certa.]

desértica,
sei
das insígnias que batalham a demora
das palavras

das salinas
onde os pés se atascam
nos limos
nas algas
nos verdes viços das meninas dos teus olhos
e rasgam alvoradas
na noite escura

e nos verdugos. e nos húmus da jornada
crua
na jorna magra …

e da safra
que nos escorre da língua
e que, sem ar, se amortalha em míngua
em asfixia.

[asfixiaste a utopia? fala! diz-me!!!]

…e se escorre
dos bolsos rotos onde a promessa se esborrata.

esta.

dizem que somos todos iguais e eu digo nunca
se igualdade é a maior mentira da humanidade.

sei da diferença
e cultivo-a no aprumo de ser eu mesma defensora
da íntegra equidade:

- “a cada um segundo a sua real necessidade”.

___

poema publicado em Escritartes

outros trabalhos em prosa: www.noitedemel.blogspot.com



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/49888.html

alta voltagem - 2008-09-26 03:49

alta voltagem
atravessa a água (in)quieta de cântaros ordenados
p’lo alinhamento das bicas
- girândola corpórea de braços e de dedos,
beirados rubros,
ninhos ou berços,
acoplados d’argila em barro solto na telha antiga;

engodavam-se os dedos
engadanhados rígidos p’la solidão das palavras.

engodam-se
na lírica das harpas
no cieiro continuado dos lábios murchos
e seu oposto:
em línguas de fogo-fátuo
nas frieiras abrasadas e sujeitas à pele estafada.

longa a jornada, alta a voltagem
- Ulisses de Ítaca em contínua viagem -,
de barcaças e marés
onde o grito da pedra trespassada se ecoa
à nascença da carne, botão de carne,
mulher que se abre ao movimento vertical de um mundo
inquieto
e é boca e é flauta e é canto
lua luz luminescência
périplo
e sal salgado
por filamentos e medusas livres
de um mar inacabado ao colorido dum pranto.

***

publicado em: Escritartes

Outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com (prosa)



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/50585.html

searas outras... - 2008-09-26 03:49

Seara

claustrofóbica
fobia outra que s’ acasala in vítreo
ao verbo porfiado
em mênstruo de vértebras e medulas bífidas…

não se dizem palavras
não se esculpem gestos
nem tão pouco florescem lábios em malmequeres
de risos
nem sequer já s’agitam flamejantes papoilas serôdias.
ou outras, iniciáticas.

[a palavra enquista, companheiro, se a não partilhas
se de ti t’ isolas e és, do mar, tão só, beleza árida,
ínsula, …ilha, ressequida lezíria,
mouchão do Tejo
(este que deste promontório vejo).

retoma o verbo e fala, fala, grita,
para que ninguém se esqueça que a língua é uma arma,
que se eleva
ave que voa em “V”, em bando…
que dilacera crostas
e inflama indiferenças pálidas, como por magia … ]

claustrofóbica
a janela que se abre em compassos de morcegos
na varanda dos verdes campos
‘inda …

e contudo, quando dos pulsos se libertam os dedos,
leves ondulam as ancas e as searas
num abraço de rio
azul
profundo (eis o meu mundo!)

desce agora a corrente consuetudinária
o sangue
e cresce, e brota livre, no Abril dos corpos
em supetões de espuma
na boca planetária

há um planeta em espera
em cada adiada promessa
há uma ecologia protelada na negritude neófita que te fita
em cada noite onde te ocultas da co-cidadania
e te corrompes
e não investes na filosofia pura dos gestos fartos,
na urdidura d’afagos, camarada,
e a chuva ácida sobe e, pesada desce,
e empapa planuras de searas rubras antes sequer da debulha.
***

Outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com (prosa)

Foto daqui

***



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/50212.html

Venho reconhecida agradecer a todos quantos me acompanharam no lançamento do meu livro. A todos quantos me dispensaram o seu tempo e o seu carinho no envio de mensagens, na divulgação do lançamento, etc.

Todavia, meus leitores, meus amigos, tal como me disse Xavier Zarco, poeta que me previligia com a sua amizade,

" editar um livro não se esgota na sessão de lançamento.É algo que se alonga no tempo, porque possui vida própria que vai muito além da editora ou do autor", e, existe uma razão de fundo que me faz desejar que a deste em especial, seja longa e muito intensa. Que este Sol se transmute em (Sol)idariedade.
Quem me conhece de mais perto sabe que desde sempre repito o seguinte pensamento, de autor anónimo "se não podes fazer coisas grandes, então fá-las de uma grande maneira". E, a grande maneira que conheço para se estar na vida é não ignorar, não fechar os olhos, é não avançar como se nada fosse.
"Vemos, ouvimos e lemos ... não podemos ignorar".
Porque existe quem de nós necessite, porque sendo pouco (tão pouco, imensamente pouco) pode fazer toda a diferença, porque desejo e luto por uma sociedade inclusa, vos peço ajuda para poder ajudar quem ajuda ...
"Ao adquirir este livro esta a contribuir com 10% do valor de capa para a AIPNE - ASSOCIAÇÃO PARA A INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS".
Preço de capa: 12 euros.
Local de Venda: Aqui


Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/49995.html

Evento apoiado institucionalmente pela Junta de Freguesia do Sobralinho e pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.

Local: Salão Nobre do Paço do Sobralinho

***

Meus amigos, aproxima-se o dia em que o meu novo livro nascerá.

Razões maiores me afastaram nas últimas semanas do vosso convívio. A vida, pese embora as perdas - irreparáveis no caso -, segue o seu curso. E eu, como os demais, não tenho mais que fazer que não dar continuidade ao traçado dum percurso. E porque dalguma forma sempre acreditei que o destino nos coloca em ombros a carga que podemos suportar, projecto agora o olhar no dia 08 de Nov. , conforme estava anunciado, na Sessão de Lançamento de "No princípio era o Sol" com a chancela da Edium Editores e que conta com o apoio institucional da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e da Junta de Freguesia do Sobralinho, como poderão ler em Comunicado de sua Excelência o Senhor Presidente de Junta, e com várias contribuições de amigos afectos a outras artes (dança - Academia de dança Prof. Paula Manso, Sobralinho e Alverca - , canto, declamação ..., etc.).

Sintam-se uma vez mais convidados. A vossa presença é-me muito importante. Afinal, quem escreve gosta de ser lido, tal como quem pinta gosta de ser visto, como um actor gosta de olhar a plateia repleta de gente. Se assim não fosse, a arte, seja qual fosse, não se exporia, ficaria nas catacumbas da escuridão.

Grata pelas manifestações de carinho, pela vossa presença em minha vida. Até breve.



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/49553.html

de magritte - 2008-09-26 03:49

(René Magritte, A Condição Humana, 1935)

***

era magritte
a escorrer da tela ali ao lado
e o rio limpo do meu corpo em espera

o mergulho

o eco da pedra pulsante a esculpir-se margens
no vermelho sangue das artérias
e dos sentidos
|era
a ternura semi-nova da espera
e a vontade
d’abalroar(te) a pele em asas livres ...,

da boca o beijo
o cetim perverso, barba ponteada ao de leve
a roçagar-se em meu pescoço

de magritte
o gesto com que rasgava a flor das horas
d'adagas hirtas e velas do Tejo

faluas leves

ao fundo
profundo o risco
o sulco, a chuva baça d'aurora …,

de magritte ainda
o reflexo em babugem delatora

das águas
as cinzas
e a fuligem com que visto agora meu dorso.

nomear-te
sem palavras à luz de velas e dedos nus
nas pálpebras diluidas em viagem
e nunca vires
vagem, flor. flor, semente...

se não és mais que de magritte ausência, crua miragem.

___

poema publicado em Luso-poemas ; Escritartes

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Evento apoiado institucionalmente pela Junta de Freguesia do Sobralinho e pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.

Local: Salão Nobre do Paço do Sobralinho



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/49349.html

pagãos e nus - 2008-09-26 03:49

dos dedos e dos pastos
trazes
a fome das aves esvoaçantes em colheitas
e tanques da Lezíria
- matizes d’ocres selvagens e bridas ofegantes
em tempo de ponteiros desconcertados.

das leis dos homens,
das que te oprimem a fé constante,
descerras
no vagar da tarde
que não tens
novidades póstumas
noites indiferentes
que transmutas em beijos madraços
no arrebatamento sublime de adejar de folhas livres

quando, à míngua de teus dedos,
afastas bambinelas nubladas de meus olhos,
- caixilhos biselados ao turvo -,
abres de par em par infinitas janelas, persianas pálidas
em afagos de lápis-lazúli.

…e recolhes
delicadamente estilhaços d’organdi
e os colas, fulgentes e vivos
ao fundo escuro do mar
na volúpia sensualidade dum abraço,

nosso. só nosso.

mago me cinges
em volumétricas distancias de um rio
que se confunde em vela e lastro d’abundante fundo
e é tela igual de sul à nossa frente.


ainda que em leito incerto
mondamos o arroz das ervas daninhas
descalçamos sapatos à largura figurante do destino,
libertos dos saltos altos,
se somos amantes sem guião nem palco,
e nos tomamos, pagãos e nus,
de sonos em sonhos e tangos argentinos.

____

publicado em Luso-Poemas

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imagem da net



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/48938.html

abraço a preguiça - 2008-09-26 03:49

abraço a preguiça
como coisa minha sem razão outra
que não seja
desejar abocanhar a hora vaga.
desdobro-me
sob a sombrinha em cantos burilados
declino os olhos p’la toalha ali
e o ferro ao lado
passada a ferro – a poalha alva
e os vincos
profundos
cavados
em órbitas de vincar o vento em quatro cantos
quadrados;
bicudos os pontos pontilhados
com me cerzo, ajusto e cozo -
agulha e saca
serapilheira grossa – a pele e a faca,
a faca e o pão
espiga, seara nova no grasnar as aves
e nas rajadas,
recortes livres de madrugada …
abraço a preguiça
sonolenta, sob um luar de Agosto
que não sei se existe ou se é
sonho e sono, sopé e cume d'utopia ...,
saliva-me a boca em desejos alvos
de partilha nata
[outras eram as sarças, as silvas, as fragas
e as passadas
nossas
e
as bocas acesas p'los relâmpagos d'inquietudes e trovoadas].
...abraço a preguiça, em Sol e nada.
_____
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Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/48842.html

boneca de trapos - 2008-09-26 03:49

colidiu a lividez dos astros moribundos
de face a irradiar auréolas de verdade …
em deslocação axiomática e (in)temporal,
ainda que algo desordenada,
da caixa dos brinquedos desprezados,
condenados ao perpétuo escuro,
elevou-se tímida
em tuas mãos de luz …
líquida
terna e branda
deu-se as mãos, deu-te as mãos,
em deposta rigidez dos corpos …
no fundo do coreto
uma música toca, onírica e suave,
enquanto, num saco preto de palavras a metro
se enterram
definitivamente
fantasmagóricos cadáveres…
[ah poetas, ah profetas da desgraça,
requiem pelo que nos contamina e nos infecta …]
boneca de trapos
provida de peso e de vontade
boneca de trapos destemida,
veste-se agora na plasticidade dos globos siderais
coloca fulgores d’ alabastros nos caminhos da cidade
e dança,
dança prenhe de vida, em compassos de dois por quatro,
em Lago dos Cisnes, lugar secreto de tua caixa maravilha,
no insulado de uma ilha oculta dos mapas,
boneca de trapos, dança. dança fleumática …
___
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Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/48625.html

é no silêncio - 2008-09-26 03:49

é no silêncio
do teu olhar gelado
que me dispo
peça a peça
camada sobre camada, sobreposta,
em gestos títeres
de boneca vidrada a porcelana fina.

é no silêncio dum palco mal iluminado
p’la lua madrugada ali ao lado no umbigo escuro do rio
que me deito, em cama áspera e nua,
nos lençóis do teu caminho…
indefesa, desarmada,
pagã em espera.

e tu chegas, como punhal icónico
rasgando a terra…

envolvo-me na ternura que me resta
recubro-me aos flumes vagos de desalento
afasto negrititudes ao pensamento,

… suspiro lágrimas exangue,
ébria p’lo pó de ilusórias estrelas cadentes,
e pinto de sonhos o cinzento das paredes expostas
às intempéries em cores aquosas de claras aguarelas,

… e, no silêncio,
me entrego em magrezas de palavras
e desejos escarlates d’abismos siderais.

em monocórdico gemido,
à mó empedernida dum moinho de vento
sem albas velas,
abro, uma a uma, pernas às palavras,
enquanto mutilo braços d’asas
à levitação plena da alma …

é no silêncio que tu te escusas
de ler um volume antigo,
papiro originário onde registo, um a um,
cada momento,
da meteorologia angustiosa e triste
dos meus mais íntimos sinais.

[…e no silêncio …concluo que não sei sequer
se quero ou sei voar mais...
um pouco mais,
ou se, diminuta ... desisto.]

___

Poema publicado em Luso-poemas

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Foto de Graça Loureiro



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/48314.html

A geometria do verso, do verbo dobrado p’la cintura.

A palavra,
diáfana, pomposa e digna, que nenhum vento apaga,
que se perpétua desenhada nos lábios febris das águas,
em veias e teias d’ amplíssimas gotas…
que se escorre em babas lívidas,
no sal do corpo e nas salivas.

No horizonte,
toalhas onduladas de brancos linhos
erguem-se na vertical dos tempos,
e sobre elas, o perfume solidificado a quente,
em jarras sem flores, de vidro transparente,
diamante de paradoxal fragrância,
da mais oculta loucura,
esta que, espartana,
se agita em laivos efervescentes
em formas esfusiantes e sempre puras.

A solidão dolente
em que descanso no ombro ausente,
em que descanso o corpo,
do açoite, do negrume ácido da noite.

Rasgo as palavras, uma a uma,
apresas entre a língua e os dentes.

Rasgo a alma vagabunda em memórias dilacerantes,
no silêncio do gesto,
a que me ofereço, no rezar de um terço,
sempre aberto, sempre franco.

Na madrugada
esventro-me de ti, palavra moribunda,
verbo-poema, amado amante,
num parto de nado-morto, de rei deposto.

Sou palhaço
num circo desarmado em panos furiosos,
em excessos de prantos e choros,
no eco d’ avisos de sorumbáticos mochos,
às dores,
aos augúrios, prenúncios de cataclismos maiores.

Na inutilidade que me perpassa o cântico melodioso,
o Inverno retorna,
toma forma,
em risadas de escárnio inútil,
de um Sol que é por fim, no mar de mim,
e nesta tarde inebriada p’lo cheiro do mosto,
declínio, ocaso, Sol-posto.



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/48090.html

parábola - 2008-09-26 03:49

“vem, serenidade,
Para perto de mim e para nunca.”

In Serenidade és Minha,

Raul de Carvalho
__


chamo-te
uma e repetidas vezes
na manhã dos dias que vogam as frias ondas
nas crinas das searas.

chamo-te
em sentimentalismos dramáticos
em anagogismos tamanhos
em urdiduras de lavas
dispostos numa melodia vegetal
de cheiros
de cor…

[retenho-te, encruzilhada,
em interpretação mística dos sagrados livros.]

chamo-te
… e tu chegas. num Outono de tua vida
criança em meu colo de mulher.
[onde t’abrigas].

trazes a fadiga dos homens,
o cansaço dos teus sonhos adiados
e a fome.
a fome e a solidão das mãos
e a expressão do afecto em parágrafos abertos.

… e tocas-me. lirismo torrencial,
se escorre ...

e cada instante
é mar aberto
e cada palavra é peculiar parábola de nós,
pontos menores, a tender para o infinito.

vem, serenidade,
crava-me esporas na alma e veste a minha face
oculta
a face de lua negra
da cor da ousadia
carmina cor, apostrófica e sanguinária,
de praias da Polinésia…

vem serenidade, revela-me,'inda que tardia,
despe-me de pudores inusitados
enche o meu corpo de pecados,
fugazes sejam,
mas de uma simplicidade perfeita…

vem, serenidade... beija-me.
liberta-me desta solidão angustiosa e deixa,
deixa que na tua mão,
me esventre, vasta e gloriosa.
...“vem, serenidade, ."

___

Imagem da net

Poema publicado em Luso-Poemas

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Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/47714.html

dor - 2008-09-26 03:49

dor
esta dor que m’atravessa a alma
bico de faca
naifa em gume aberto
que me habita
que mora alfim de ser
gota
de sangue
de suor lágrima e vaga
que vai e volta
e me trespassa
agora.

de que matéria
te fizeste flor se foste semente na hipófise de mim?

doei-me
as membranas -películas finas -,
e as guelras destronadas
num respirar vazio

as asas colam-se
num voo de águia
ao desassossego de ti, tumulto e acervo
… que sinto. sinto-to, sim…

desregula-se-me o hipotálamo,
o sono, o metabolismo da água, a temperatura corporal
… perplexo-me, aflijo-me e, estrénua,
tomo em meu corpo as tuas dores
profundas d’astro orbicular a decair num beijo terno,
extremo, na saliva de minha boca….

(re)construo-te
implícita
no reconhecimento ritualizado
de nós, nativos,
esconsos em paliçadas de taipa,

… há no meu corpo
um exército de formigas laboriosas
que combate a inépcia de tua ausência.

… colhem da folha tenra
a semente
a centelha duma secreta luminescência.

___

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Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/47601.html

poalha - 2008-09-26 03:49
(foto daqui)
***
em todo o poema
existe uma poalha funda
uma luz imaginária
um banco d’areia onde um barco encalha.

eu, sempre tão cautelosa,
sempre tão prudente,
aqui estou à Praça do Império,
donde não partem caravelas
nem regressam astros
nem sequer faunos s'avistam empunhando tridentes.

aqui estou, exausta, descalça,
mendiga desgrenhada olhando o horizonte,
fio de Penélope
decaído a Oriente na poalha do verbo…
____
Poema publicado em Luso-Poemas
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Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/47271.html

nas mucosas de minha boca
ainda
as salivas das palavras que Abril floriu.

eram rosas (rosas brancas, rosas bravas, bravo povo, meu amor …)
eram cravos
espinhados
cravados na carne flagelada p’la discórdia
era um rio de verbo
sem margens
um leito estagnado
em desassossego de parto
eram sinopses apostas a um chão tão cru
tão vil
tão frio
eram, da terra o cheiro o restolho o cio
[ciosa a liberdade
a luminosidade que s’eleva em cada anoitecer
ao largo
para além da ilha
no mastro erecto de um navio
e me bolina de ser ninfa, mulher, vela latina … amor.
… e esta linha recta em que me conduzo
e me velejo, onda, vaga, berço,
(o que t'ofereço ...)
sendo centelha breve
olhar ausente
ignífugo
que s'eleva e já s’apaga … se me não tocas, se não m'abraças... se me não tomas, tua.]

era
… da luz a cor
o branco infinito da paz que busco no teu corpo d’açucenas.

olha-me agora
nas rugas cravadas em memória, poeira de tua estrada,
no rosto opróbrio de plebe em espera …

olha-me atento e vê que sou a tua alma
o teu maior poema
flor de Abril
de um outro tempo
corpo de uma mulher que em inanição se queda
na amurada
- mulher d’Atenas -,
e, sem lágrimas, ‘inda veste a força intrínseca de ser
palavra
urgente e rubra
bago carnudo
safra
colheita e boca
d'uva
(e)terna e sequiosa
quando, nua se escorre imagem no espelho impetuoso das tuas águas
e se projecta holograma a cada esquina do teu dia
desenhada ...

… um tudo
…. um quase nada, botão de rosa… cetim, veludo.

nas mucosas de minha boca
um beijo
e o mundo ...

____

poema publicado em Escritartes

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foto da autora (Mel)



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/47059.html

lapidar instante - 2008-09-26 03:49

lapidar instantes como coisa minha
à nitidez imaculada do cacimbo da manhã
diamantina

ser-te eu mesma diamante gema
sendo tua…
sendo plena,
plenamente orgânica …

e dar-to, nítido instante,

a cada brilho de um olhar tocado ao teu
quando
as tuas mãos me dobrarem p’la cintura
as tuas coxas se enlaçarem minhas
e, num ápice de volúpia e descoberta
a espada do teu corpo
rasgar, moldando argila, fímbrias na lua.

***

Publicado em: Luso-poemas e Escritartes

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Foto da autora (Mel)

________________________



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/46738.html

de ti quero as mãos e os gestos
francos
a deslizar abertos em meu corpo desfolhado
quando
a noite anoitece
e o sol renasce
p’lo ar lavado deste mar
desfraldando do teu dorso velas de nudez
soltando vida adormecida no porto…
… quero a verdade
a cumplicidade harmónica no passo
a magia écloga por sobre pedras de calçada
por sob linhos de lençóis castos
no veio das águas freáticas
nos beirais vermelhos da casa ardida
por onde navegam pássaros
e barcos bailam famintos d’aportar.
de ti quero o instante
silêncio acetinado
à sensibilidade delicada,
fúria ampla dos latos espaços…
de ti quero tudo o que t’ofereço
do beijo ao bafo
do desejo ao corpo
d'afago desmedido
medido na ventania fresca dos pastos
na força cósmica das águas subterrâneas
na dança repousante de labaredas em fogueira
… de ti, quero tudo,
querendo apenas poder ser
flor pálida, levemente ruborescida
na citara de tua vida…

***

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foto: da autora (Mel)



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/46401.html

(imagem da net)

***

por onde vai esta multidão abestada
que não vê
o primado essencial da palavra?
escorro-me viva
rasgo a pele em chacinas de febres
qual soldadesca numa guerra de manobra,
voo d’águia aguilhoada p’las garras,
nas estepes da Rússia
salto a barreira do som vazio
e grito
e sou
olímpico atleta
profeta da palavra escrita
se salto o eixo elevado ao veio etéreo do sol
em cada parágrafo moribundo em que me teço
em cada poço seco em que mergulho
e bebo
e sorvo
o azedume de um povo
estagnado em promessas do mais imundo lamaçal
ou ainda,
quando, no açude dum leito em chama,
me quedo e, muda,
me comporto
incomportada em comportas de barragem
transbordante.
Lever, Crestuma … o agora e o antes,
quando nada detinha a tua força motriz...
por onde vai esta multidão abestada
que não me vê?
que não me lê?
que me confunde rubra
me funde
a pele à casca de nervura funda
à folha seca
à gramínea semente de vagem joeirada,
se, solta do chão me vejo presa em tronco erecto?
… são as árvores que falam caladas
quando morrem de pé na terra carbonizada
são as árvores que perpetuam os braços
das jornadas, camarada,
memórias depostas
nas folhas opacas deste papel ...
são as árvores, companheiro, que trazem gravadas histórias,
húmus onde jazem causas antigas
e sempre renovadas dum vocabulário inclusivo
e são ainda as suas folhas estandartes que se soltam
ganham asas
quando desenham telas de fé no neo-realismo desta estrada.
… que ninguém vê!


Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/46118.html

impudicícia - 2008-09-26 03:49

Impudicícia m’enrosca neste poético enleio
a pele da boca aposta ao gesto controverso
o rosto cristalino na concha de tuas mãos
e, nos teus dedos, solta, minha rosa amarela
se no meu peito
s’assola tremura de ser verso
serpenteando à roda de tua cinta
em júbilo recato
em calmaria de acto
acalmo malícias d’ervas daninhas
que s’atrevem no repovoamento de pastos
desbasto
decoto
lapido
revogo tratados sistémicos
legislo novas variantes
cambiantes de cores prismáticas
sobre cristais e diamantes.
bamboleante
entre enzimas d’instante e fermentos transactos
danço tango
ou sevilhanas
e logo me projecto em elegante valsa
sendo agora Cinderela em musa debutante
detenho a corda fina
desta lira ensandecida que s’eleva, que s’alteia,
adversa e antagónica
vestida de cetim cor de damasco, sou-te menina,
flutuo acesa em mágica certeza de ser
de minha própria vida, fiel compasso.
ofereço-te minha rosa amarela.
singela … abraço-te!
***
Poema publicado em Recanto das Letras (Brasil)
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Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/46032.html

nos sentidos despertos - 2008-09-26 03:49



Lady Lilith
Dante Gabriel Rossetti. 1864-73
Wilmington Society of the Fine Arts, Wilmington, Delaware.

***

nos sentidos despertos
na antemanhã de um leito d’água em movimento
pressinto que existam,
ainda que retorcidas em cotovelos inopinados,
instancias calmas
serenidades reconvindas
quietudes d’alma
em que, sem medo, um bote de chumbo se faz ao mar...
embarco - talvez esta seja a Barca do Inferno -,
pouco importa se, nos teus sentidos despertos mergulho agora,
se, em sargaços m’envolvo,
e galgo esporas no coração do vento, varrendo a praia…
conquanto é quando ao largo a bruma se desvanece
em partilhas de inocência
que encontro teu nome, recortado por um pantógrafo metalúrgico
a ferro e fogo,
assaz contraforte vermelho (cravo ou papoila)
em bebedeiras de noite e luz …
corro impetuosa ao teu encontro,
quebro o novelo onde m'amarro à amurada
numa melodia que não sei
inventada
(re)invento-me, explodindo magma
p’la cratera da palavra.
felina, celebro o fermento e o trigo das sementeiras
em litanias e silêncios de algodão doce
dispo-me de velas que m’ensurdecem
desfaço a meia-desfeita
a trança redemoinhada no sal salgado do teu corpo
bebo o veneno que me ofereces
e sou
na medida exacta do teu dorso,
o nada, o tudo, o infinito coadjuvado duma quimera
e tu em mim, poesia, ilusão pura!


Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/45782.html

que nenhuma ave se demore - 2008-09-26 03:49

(imagem da net)

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que nenhuma ave se demore

na anormalidade suspensa da rota
que nenhuma treva se detenha
nas rugas sábias de teu provecto rosto
que nenhum beijo se quede,
meu amigo,
se o teu e meu desejo
é beijar a lua alta em noites plenas de luar
esqueçamos tudo ao redor
esqueçamos o que julgámos saber
se não sabemos
o que julgámos ser
se não somos
o que imaginámos que, porventura (ou desventura)
nos iria acontecer
e, se aconteceu, não nos demos conta sequer …
façamos tábua rasa dos ditames
das supostas verdades
das vanglórias
dos códices e das regras
de falsas moralidades…
o tempo não conta, o tempo é um constructo, um abstracto,
um “quase nada”
e mais não é, quiçá, que um ponto de encontro
entre a procura e a oferta,
o tal ponto de Cournout de que te falava há pouco…
esqueçamos pois o que não importa,
esqueçamos horizontes cerrados
e, de punhos cerzidos à cor biblica dos pecados
desta avenida
escutemos o tic-tac das sílabas,
quais desabrochadas donzelas,
no Big-Bang da nossa secreta humanidade...
e, se ‘inda aqui estás, e já sinto de ti saudade,
se esta é a maior verdade
então
acorrentemos os lábios à goma-arábica das palavras
num casulo tenro d’afectos
façamos nós os caminhos
num abraço intemporal de braços abertos e, no fulgor primevo
de sermos corpo, alma, sangue, saliva e fogo,
reaprendidos, enlacemo-nos de novo
num cordão maior de convicção
de sermos tão somente
pó e povo.
que nenhuma ave se demore… meu amigo, meu irmão.


Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/45520.html

erguem-se adjacentes - 2008-09-26 03:49

Graffitis 1

(foto daqui )
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erguem-se adjacentes, confinantes aos muros
aos tapumes
aos tabiques do bairro da lata
grades
janelas indiscretas
da consciência
da complacência
aos espaços manifestos
da intenção
erguem-se heréticos
d'olhares infantes
descrentes
das vontades declaradas
das palavras
das promessas
das sentenças faladas juradas
(fogo de palha, amores de verão…)
abrem-se aos verbos, acervos da nossa história
folhas recentes e já amareladas
sufragadas ao colectivo esquecimento
abrem-se em crenças
soltos
da Caixa de Pandora,
e neles, e nela, as lutas tribais,
as recentes e as antigas,
gladiadores d’arenas, madrigais de vida
ávidos
descosem-se os braços
os zimbórios
das sacas e das lonas opressoras
(estão-se nas lonas, porra!…)
declaram-se livres
a língua colada ao céu-da-boca
sem estrelas outras que não o eco
do trovão a ribombar
na verve
e o fascínio a lampejar
no ardor
do azeite efervescente
em guelras
de peixe
(o peixe sabe nadar, yôooooo)
erguem-se ímpios
espicaçam-te a alma
furam-te os tímpanos (doce, docemente)
são rap, graffiti,
arte cigana,
arte popular, art’ urbana,
são, do poema a pena, o verso e a rima
dum povo a razão, jamais a sina…
são os filhos desta cidade a ousar ser,
sendo já, e sempre, gente! Gente!!!



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/45094.html

gorjeta - 2008-09-26 03:49

quando partiste

não percebi, não entendi a génese da desdita.
o mundo caia em derrocada num vazio de nada.
tudo eram trevas, tudo eram solidões maiores….
tudo se alternava entre díluvios e
magmas do Vesúvio...
levei meses, anos, vidas, a conceber o acto
de te parir sem dor
de te expulsar de mim. definitiva.
sabes, eu não sabia
que teria de abrir fleumáticas asas
ao voar
como se fossem pernas numa ginecológica maca
sem pudor
sem reservas…
que me teria de revelar em formas estranhas
- sinopses, teses e antítese de poemas…
sendo eu, e ao mesmo tempo, a um só tempo,
todas as outras mulheres…
“virgem de vagas, velas e marés”
o sangue escorria-me da alma aos pés
empapava uma a uma as folhas já pardas das memórias
e, na dor, ceguei até …
quando partiste
olhei a toalha de linho imaculada sobre a mesa,
as rendas que tecera em filamentos de espera,
a taça pura de meu corpo, que sem preservação t’oferecera,
(e que assim continuava),
o beijo intacto ao contacto do teu gosto...
não existias, não passavas de miragem. um construto.
uma projecção, um holograma de lava.
então, lentamente, num acto de amor e fé
com um sorriso arrojado de menina à face de meu rosto
esvaziei, um a um, todos os bolsos do meu corpo,
levantei-me erecta,
serena,
reencontrada em mim,
olhei de frente o mundo em meu redor e, num gesto redentor,
e, numa forma simbólica,
fénix renascida das chamas de Pompeia,
grata, deixei gorjeta...

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imagem da net

outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/44901.html

Clarividência - 2008-09-26 03:49

(foto de Mel)

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tudo é claro e simples

na simplicidade evidente de um espaço aberto

de águas soltas

de folhas reveladas ao vento

gaivotas, violetas imperiais, em bailados d’acasalamento

em gestos francos, em gestos amplos e concretos.

da matriz da terra, do seu umbigo,

no orvalho gracioso e fino duma alvorada,

em passinhos de lã, essências nectarinas

s’elevam altas, maiores, do mar,

e, dos campos longínquos e dos infinitos lagos,

eclodem eflúvios leves:

d’alfazemas, magnólias, petúnias, alecrim e rosas

… absolutas rosas (nebulosas ‘inda),

petaladas a verde no verde mar de tangerinas.

tudo é claro e simples

como um beijo a desabrochar botão de carne

na carne de nossa boca

como uma memória antiga resguardada e que s’evoca

delicada

da caixa secreta de nossa infância.

agora são os corpos e os traços vivificantes

a desenhar contrafortes na escarpa de baunilha e de jasmim:

- doces, telúricos, vitais -,

recentrados na vitalidade de si, em fusão revitalizante

entre o ontem, o agora e o amanhã.

viajante

o dia amanhece, simples, aqui na ilha, tecido num registo d’evidência.


Aconteceu. Poesis XVI nasceu.

Um momento alto e único de partilha, de identidade. Uma cadeia que se liga e interliga. Palavras que se colam e recolam, num cimento único e maior: a língua Portuguesa.

Se gostei? Sim, mil vezes sim. Sem grandes complicações, na simplicidade de sermos simplesmente quem somos.

A todos os que, de uma forma ou de outra, presentes ou não, me ajudaram a dar mais este pequeno passo, o meu enorme agradecimento. Se, tal como ontem tive oportunidade de dizer, a escrita é um acto, quicá, solitário, editar, dar à estampa, à tela que seja, é um acto de partilha. E, com toda a certeza do mundo, gosto de partilhar.

Aos poetas desta Colectânea e à Minerva, as maiores venturas.

A todos os que por aqui passam, anónimos ou não, um bem-hajam!

Mel (diminutivo e não nick, como vos disse ontem) ou .... Maria Amélia de Carvalho.



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/44695.html

Mulheres d'Atenas - 2008-09-26 03:49

agora os teus pulsos sobre os meus
e os dedos
ágeis, soltos,
à urgência carcerária dum novelo por fiar
roca
fuso
rubros os fios incandescentes.
mítica a paisagem a interpretar
(vermelho o fascínio da viagem…)
agora o fabuloso, o indizível fio de seda,
casulo pálido, gemado, d'albumina
(ainda)
e um Sol alaranjado a despertar
nascente
do arrojo de ser pedra primeira
onde descansas
insulada pedra (seja; sejas)
esmeralda
verde de um olhar.
o mar aqui, o mar ao lado, o mar ao largo
e a concha
do tempo ecoado em nós. desassossego
dum búzio colado ao teu ouvido
de várzeas latas, trigo maduro,
de latitudes reconhecidas
e jornadas postergadas e logo retomadas
em tatuagens de pele num voo rasante…
[e pássaros inquietos
d’olhares meninos ...]
e nichos
de pedra branca, ninhos íntimos
secretos, de nós
animais
insectos
corpos astrais colididos em movimentos
lentos
ao epicentro de luz
pendular a
palavra
a lama e lava
(e o teu gesto ternurento que m'afaga )
no vagar da tarde as minhas penas
a roçagar insanas a tua pele
ternura
num canto helénico que s’ ecoa manso à fome de tua boca
e tu nu, aqui,
em forma dissimulada de seres poema
e eu,
simbólica míngua de todas as mulheres d’Atenas...
(imagens daqui)

Caros amigos, no próximo Sábado, dia 14 de Junho, em Lisboa (Benfica) será apresentada à imprensa a Colectânea Poesis XVI , com a chancela da Minerva, de que me honro fazer parte.

Gostaria de vos saber presentes. Grata pelo vosso carinho.

in http://antologiapoiesis.blogs.sapo.pt

Todas as informações: http://www.luso-poemas.net/modules/newbb/viewtopic.php?topic_id=1242&forum=22



Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/44294.html