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Luso-Poetas
dizem que somos todos iguais e eu digo nunca... - 2008-09-26 03:49
(imagem da net) ***
sei ainda das flâmulas que s’agitam
___ poema publicado em Escritartes outros trabalhos em prosa: www.noitedemel.blogspot.com
Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/49888.html alta voltagem - 2008-09-26 03:49
*** publicado em: Escritartes Outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com (prosa) Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/50585.html searas outras... - 2008-09-26 03:49
claustrofóbica
e contudo, quando dos pulsos se libertam os dedos, Outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com (prosa) Foto daqui ***
Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/50212.html Do lançamento ... agradecendo! - 2008-09-26 03:49
Venho reconhecida agradecer a todos quantos me acompanharam no lançamento do meu livro. A todos quantos me dispensaram o seu tempo e o seu carinho no envio de mensagens, na divulgação do lançamento, etc. " editar um livro não se esgota na sessão de lançamento.É algo que se alonga no tempo, porque possui vida própria que vai muito além da editora ou do autor", e, existe uma razão de fundo que me faz desejar que a deste em especial, seja longa e muito intensa. Que este Sol se transmute em (Sol)idariedade.
Quem me conhece de mais perto sabe que desde sempre repito o seguinte pensamento, de autor anónimo "se não podes fazer coisas grandes, então fá-las de uma grande maneira". E, a grande maneira que conheço para se estar na vida é não ignorar, não fechar os olhos, é não avançar como se nada fosse.
"Vemos, ouvimos e lemos ... não podemos ignorar".
Porque existe quem de nós necessite, porque sendo pouco (tão pouco, imensamente pouco) pode fazer toda a diferença, porque desejo e luto por uma sociedade inclusa, vos peço ajuda para poder ajudar quem ajuda ...
"Ao adquirir este livro esta a contribuir com 10% do valor de capa para a AIPNE - ASSOCIAÇÃO PARA A INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS".
Preço de capa: 12 euros.
Local de Venda: Aqui Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/49995.html "No princípio era o Sol" - 8 Nov., Sábado ... CONVITE - 2008-09-26 03:49
Evento apoiado institucionalmente pela Junta de Freguesia do Sobralinho e pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.
Local: Salão Nobre do Paço do Sobralinho ***
Meus amigos, aproxima-se o dia em que o meu novo livro nascerá.
Razões maiores me afastaram nas últimas semanas do vosso convívio. A vida, pese embora as perdas - irreparáveis no caso -, segue o seu curso. E eu, como os demais, não tenho mais que fazer que não dar continuidade ao traçado dum percurso. E porque dalguma forma sempre acreditei que o destino nos coloca em ombros a carga que podemos suportar, projecto agora o olhar no dia 08 de Nov. , conforme estava anunciado, na Sessão de Lançamento de "No princípio era o Sol" com a chancela da Edium Editores e que conta com o apoio institucional da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e da Junta de Freguesia do Sobralinho, como poderão ler em Comunicado de sua Excelência o Senhor Presidente de Junta, e com várias contribuições de amigos afectos a outras artes (dança - Academia de dança Prof. Paula Manso, Sobralinho e Alverca - , canto, declamação ..., etc.).
Sintam-se uma vez mais convidados. A vossa presença é-me muito importante. Afinal, quem escreve gosta de ser lido, tal como quem pinta gosta de ser visto, como um actor gosta de olhar a plateia repleta de gente. Se assim não fosse, a arte, seja qual fosse, não se exporia, ficaria nas catacumbas da escuridão.
Grata pelas manifestações de carinho, pela vossa presença em minha vida. Até breve. Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/49553.html de magritte - 2008-09-26 03:49
(René Magritte, A Condição Humana, 1935) ***
era magritte
___ poema publicado em Luso-poemas ; Escritartes outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com
Evento apoiado institucionalmente pela Junta de Freguesia do Sobralinho e pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.
Local: Salão Nobre do Paço do Sobralinho Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/49349.html pagãos e nus - 2008-09-26 03:49
____ publicado em Luso-Poemas outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com imagem da net Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/48938.html abraço a preguiça - 2008-09-26 03:49
abraço a preguiça
como coisa minha sem razão outraque não seja
desejar abocanhar a hora vaga.
desdobro-me
sob a sombrinha em cantos burilados
declino os olhos p’la toalha ali
e o ferro ao lado
passada a ferro – a poalha alva
e os vincos
profundos
cavados
em órbitas de vincar o vento em quatro cantos
quadrados;
bicudos os pontos pontilhados
com me cerzo, ajusto e cozo -
agulha e saca
serapilheira grossa – a pele e a faca,
a faca e o pão
espiga, seara nova no grasnar as aves
e nas rajadas,
recortes livres de madrugada …
abraço a preguiça
sonolenta, sob um luar de Agosto
que não sei se existe ou se é
sonho e sono, sopé e cume d'utopia ...,
saliva-me a boca em desejos alvos
de partilha nata
[outras eram as sarças, as silvas, as fragas
e as passadas
nossas
e
as bocas acesas p'los relâmpagos d'inquietudes e trovoadas].
...abraço a preguiça, em Sol e nada.
_____
outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com
Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/48842.html boneca de trapos - 2008-09-26 03:49
colidiu a lividez dos astros moribundos
de face a irradiar auréolas de verdade …
em deslocação axiomática e (in)temporal,
ainda que algo desordenada,
da caixa dos brinquedos desprezados,
condenados ao perpétuo escuro,
elevou-se tímida
em tuas mãos de luz …
líquida
terna e branda
deu-se as mãos, deu-te as mãos,
em deposta rigidez dos corpos …
no fundo do coreto
uma música toca, onírica e suave,
enquanto, num saco preto de palavras a metro
se enterram
definitivamente
fantasmagóricos cadáveres…
[ah poetas, ah profetas da desgraça,
requiem pelo que nos contamina e nos infecta …]
boneca de trapos
provida de peso e de vontade
boneca de trapos destemida,
veste-se agora na plasticidade dos globos siderais
coloca fulgores d’ alabastros nos caminhos da cidade
e dança,
dança prenhe de vida, em compassos de dois por quatro,
em Lago dos Cisnes, lugar secreto de tua caixa maravilha,
no insulado de uma ilha oculta dos mapas,
boneca de trapos, dança. dança fleumática …
___
imagem da net
outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com
Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/48625.html é no silêncio - 2008-09-26 03:49
é no silêncio
___ Poema publicado em Luso-poemas Mais trabalhos da autora em www.noitedemel.blogspot.com Foto de Graça Loureiro Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/48314.html Na inutilidade que me perpassa o cântico - 2008-09-26 03:49
A geometria do verso, do verbo dobrado p’la cintura.
Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/48090.html parábola - 2008-09-26 03:49
In Serenidade és Minha, Raul de Carvalho
___ Imagem da net Poema publicado em Luso-Poemas Outros textos da autora em www.noitedemel.blogspot.com (só prosa)
Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/47714.html dor - 2008-09-26 03:49
dor ___ imagem da net poema publicado em: Escritartes outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com
Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/47601.html poalha - 2008-09-26 03:49
(foto daqui)
***
em todo o poema
existe uma poalha funda uma luz imaginária um banco d’areia onde um barco encalha. eu, sempre tão cautelosa, sempre tão prudente, aqui estou à Praça do Império, donde não partem caravelas nem regressam astros nem sequer faunos s'avistam empunhando tridentes. aqui estou, exausta, descalça, mendiga desgrenhada olhando o horizonte, fio de Penélope decaído a Oriente na poalha do verbo… ____
Poema publicado em Luso-Poemas
Outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com (prosa)
Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/47271.html ? um quase nada, botão de rosa? cetim, veludo. - 2008-09-26 03:49
nas mucosas de minha boca
____ poema publicado em Escritartes mais trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com (só prosa) foto da autora (Mel) Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/47059.html lapidar instante - 2008-09-26 03:49
lapidar instantes como coisa minha
***
Publicado em: Luso-poemas e Escritartes Outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com Foto da autora (Mel) ________________________ Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/46738.html de ti quero as mãos e os gestos - 2008-09-26 03:49
de ti quero as mãos e os gestos
francos
a deslizar abertos em meu corpo desfolhado
quando
a noite anoitece
e o sol renasce
p’lo ar lavado deste mar
desfraldando do teu dorso velas de nudez
soltando vida adormecida no porto…
… quero a verdade
a cumplicidade harmónica no passo
a magia écloga por sobre pedras de calçada
por sob linhos de lençóis castos
no veio das águas freáticas
nos beirais vermelhos da casa ardida
por onde navegam pássaros
e barcos bailam famintos d’aportar.
de ti quero o instante
silêncio acetinado
à sensibilidade delicada,
fúria ampla dos latos espaços…
de ti quero tudo o que t’ofereço
do beijo ao bafo
do desejo ao corpo
d'afago desmedido
medido na ventania fresca dos pastos
na força cósmica das águas subterrâneas
na dança repousante de labaredas em fogueira
… de ti, quero tudo,
querendo apenas poder ser
flor pálida, levemente ruborescida
na citara de tua vida…
*** Outros textos da autora: www.noitedemel.blogspot.com (prosa) foto: da autora (Mel) Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/46401.html por onde vai esta multidão abestada - 2008-09-26 03:49
(imagem da net)
***
por onde vai esta multidão abestada
que não vê
o primado essencial da palavra?
escorro-me viva
rasgo a pele em chacinas de febres
qual soldadesca numa guerra de manobra,
voo d’águia aguilhoada p’las garras,
nas estepes da Rússia
salto a barreira do som vazio
e grito
e sou
olímpico atleta
profeta da palavra escrita
se salto o eixo elevado ao veio etéreo do sol
em cada parágrafo moribundo em que me teço
em cada poço seco em que mergulho
e bebo
e sorvo
o azedume de um povo
estagnado em promessas do mais imundo lamaçal
ou ainda,
quando, no açude dum leito em chama,
me quedo e, muda,
me comporto
incomportada em comportas de barragem
transbordante.
Lever, Crestuma … o agora e o antes,
quando nada detinha a tua força motriz...
por onde vai esta multidão abestada
que não me vê?
que não me lê?
que me confunde rubra
me funde
a pele à casca de nervura funda
à folha seca
à gramínea semente de vagem joeirada,
se, solta do chão me vejo presa em tronco erecto?
… são as árvores que falam caladas
quando morrem de pé na terra carbonizada
são as árvores que perpetuam os braços
das jornadas, camarada,
memórias depostas
nas folhas opacas deste papel ...
são as árvores, companheiro, que trazem gravadas histórias,
húmus onde jazem causas antigas
e sempre renovadas dum vocabulário inclusivo
e são ainda as suas folhas estandartes que se soltam
ganham asas
quando desenham telas de fé no neo-realismo desta estrada.
… que ninguém vê! Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/46118.html impudicícia - 2008-09-26 03:49
Impudicícia m’enrosca neste poético enleio
a pele da boca aposta ao gesto controverso
o rosto cristalino na concha de tuas mãos
e, nos teus dedos, solta, minha rosa amarela
se no meu peito
s’assola tremura de ser verso
serpenteando à roda de tua cinta
em júbilo recato
em calmaria de acto
acalmo malícias d’ervas daninhas
que s’atrevem no repovoamento de pastos
desbasto
decoto
lapido
revogo tratados sistémicos
legislo novas variantes
cambiantes de cores prismáticas
sobre cristais e diamantes.
bamboleante
entre enzimas d’instante e fermentos transactos
danço tango
ou sevilhanas
e logo me projecto em elegante valsa
sendo agora Cinderela em musa debutante
detenho a corda fina
desta lira ensandecida que s’eleva, que s’alteia,
adversa e antagónica
vestida de cetim cor de damasco, sou-te menina,
flutuo acesa em mágica certeza de ser
de minha própria vida, fiel compasso.
ofereço-te minha rosa amarela.
***
Poema publicado em Recanto das Letras (Brasil)
Outros textos em www.noitedemel.blogspot.com (prosa) Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/46032.html nos sentidos despertos - 2008-09-26 03:49
![]() Lady Lilith Dante Gabriel Rossetti. 1864-73 Wilmington Society of the Fine Arts, Wilmington, Delaware.
***
nos sentidos despertos
na antemanhã de um leito d’água em movimento
pressinto que existam,
ainda que retorcidas em cotovelos inopinados,
instancias calmas
serenidades reconvindas
quietudes d’alma
em que, sem medo, um bote de chumbo se faz ao mar...
embarco - talvez esta seja a Barca do Inferno -,
pouco importa se, nos teus sentidos despertos mergulho agora,
se, em sargaços m’envolvo,
e galgo esporas no coração do vento, varrendo a praia…
conquanto é quando ao largo a bruma se desvanece
em partilhas de inocência
que encontro teu nome, recortado por um pantógrafo metalúrgico
a ferro e fogo,
assaz contraforte vermelho (cravo ou papoila)
corro impetuosa ao teu encontro,
quebro o novelo onde m'amarro à amurada
numa melodia que não sei
inventada
(re)invento-me, explodindo magma
p’la cratera da palavra.
felina, celebro o fermento e o trigo das sementeiras
em litanias e silêncios de algodão doce
dispo-me de velas que m’ensurdecem
desfaço a meia-desfeita
a trança redemoinhada no sal salgado do teu corpo
bebo o veneno que me ofereces
e sou
na medida exacta do teu dorso,
o nada, o tudo, o infinito coadjuvado duma quimera
Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/45782.html que nenhuma ave se demore - 2008-09-26 03:49
(imagem da net) *** que nenhuma ave se demore na anormalidade suspensa da rota
que nenhuma treva se detenha
nas rugas sábias de teu provecto rosto
que nenhum beijo se quede,
meu amigo,
se o teu e meu desejo
é beijar a lua alta em noites plenas de luar
esqueçamos tudo ao redor
esqueçamos o que julgámos saber
se não sabemos
o que julgámos ser
se não somos
o que imaginámos que, porventura (ou desventura)
nos iria acontecer
e, se aconteceu, não nos demos conta sequer …
façamos tábua rasa dos ditames
das supostas verdades
das vanglórias
dos códices e das regras
de falsas moralidades…
o tempo não conta, o tempo é um constructo, um abstracto,
um “quase nada”
e mais não é, quiçá, que um ponto de encontro
entre a procura e a oferta,
o tal ponto de Cournout de que te falava há pouco…
esqueçamos pois o que não importa,
esqueçamos horizontes cerrados
e, de punhos cerzidos à cor biblica dos pecados
desta avenida
escutemos o tic-tac das sílabas,
quais desabrochadas donzelas,
no Big-Bang da nossa secreta humanidade...
e, se ‘inda aqui estás, e já sinto de ti saudade,
se esta é a maior verdade
então
acorrentemos os lábios à goma-arábica das palavras
num casulo tenro d’afectos
façamos nós os caminhos
num abraço intemporal de braços abertos e, no fulgor primevo
de sermos corpo, alma, sangue, saliva e fogo,
reaprendidos, enlacemo-nos de novo
num cordão maior de convicção
de sermos tão somente
pó e povo.
…
que nenhuma ave se demore… meu amigo, meu irmão. Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/45520.html erguem-se adjacentes - 2008-09-26 03:49
(foto daqui )
***
erguem-se adjacentes, confinantes aos muros
aos tapumes
aos tabiques do bairro da lata
grades
janelas indiscretas
da consciência
da complacência
aos espaços manifestos
da intenção
erguem-se heréticos
d'olhares infantes
descrentes
das vontades declaradas
das palavras
das promessas
das sentenças faladas juradas
(fogo de palha, amores de verão…)
abrem-se aos verbos, acervos da nossa história
folhas recentes e já amareladas
sufragadas ao colectivo esquecimento
abrem-se em crenças
soltos
da Caixa de Pandora,
e neles, e nela, as lutas tribais,
as recentes e as antigas,
gladiadores d’arenas, madrigais de vida
ávidos
descosem-se os braços
os zimbórios
das sacas e das lonas opressoras
(estão-se nas lonas, porra!…)
declaram-se livres
a língua colada ao céu-da-boca
sem estrelas outras que não o eco
do trovão a ribombar
na verve
e o fascínio a lampejar
no ardor
do azeite efervescente
em guelras
de peixe
(o peixe sabe nadar, yôooooo)
erguem-se ímpios
espicaçam-te a alma
furam-te os tímpanos (doce, docemente)
são rap, graffiti,
arte cigana,
arte popular, art’ urbana,
são, do poema a pena, o verso e a rima
dum povo a razão, jamais a sina…
são os filhos desta cidade a ousar ser,
sendo já, e sempre, gente! Gente!!!
Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/45094.html gorjeta - 2008-09-26 03:49
quando partiste não percebi, não entendi a génese da desdita.
o mundo caia em derrocada num vazio de nada.
tudo eram trevas, tudo eram solidões maiores….
tudo se alternava entre díluvios e
magmas do Vesúvio...
levei meses, anos, vidas, a conceber o acto
de te parir sem dor
de te expulsar de mim. definitiva.
sabes, eu não sabia
que teria de abrir fleumáticas asas
ao voar
como se fossem pernas numa ginecológica maca
sem pudor
sem reservas…
que me teria de revelar em formas estranhas
- sinopses, teses e antítese de poemas…
sendo eu, e ao mesmo tempo, a um só tempo,
todas as outras mulheres…
“virgem de vagas, velas e marés”
o sangue escorria-me da alma aos pés
empapava uma a uma as folhas já pardas das memórias
e, na dor, ceguei até …
quando partiste
olhei a toalha de linho imaculada sobre a mesa,
as rendas que tecera em filamentos de espera,
a taça pura de meu corpo, que sem preservação t’oferecera,
(e que assim continuava),
o beijo intacto ao contacto do teu gosto...
não existias, não passavas de miragem. um construto.
uma projecção, um holograma de lava.
então, lentamente, num acto de amor e fé
com um sorriso arrojado de menina à face de meu rosto
esvaziei, um a um, todos os bolsos do meu corpo,
levantei-me erecta,
serena,
reencontrada em mim,
olhei de frente o mundo em meu redor e, num gesto redentor,
e, numa forma simbólica,
fénix renascida das chamas de Pompeia,
grata, deixei gorjeta...
___ imagem da net outros trabalhos da autora: www.noitedemel.blogspot.com Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/44901.html Clarividência - 2008-09-26 03:49
(foto de Mel) **** tudo é claro e simples na simplicidade evidente de um espaço aberto de águas soltas de folhas reveladas ao vento gaivotas, violetas imperiais, em bailados d’acasalamento em gestos francos, em gestos amplos e concretos.
da matriz da terra, do seu umbigo, no orvalho gracioso e fino duma alvorada, em passinhos de lã, essências nectarinas s’elevam altas, maiores, do mar, e, dos campos longínquos e dos infinitos lagos, eclodem eflúvios leves: d’alfazemas, magnólias, petúnias, alecrim e rosas … absolutas rosas (nebulosas ‘inda), petaladas a verde no verde mar de tangerinas.
tudo é claro e simples como um beijo a desabrochar botão de carne na carne de nossa boca como uma memória antiga resguardada e que s’evoca delicada da caixa secreta de nossa infância.
agora são os corpos e os traços vivificantes a desenhar contrafortes na escarpa de baunilha e de jasmim: - doces, telúricos, vitais -, recentrados na vitalidade de si, em fusão revitalizante entre o ontem, o agora e o amanhã.
viajante o dia amanhece, simples, aqui na ilha, tecido num registo d’evidência.
Aconteceu. Poesis XVI nasceu.
Um momento alto e único de partilha, de identidade. Uma cadeia que se liga e interliga. Palavras que se colam e recolam, num cimento único e maior: a língua Portuguesa. Se gostei? Sim, mil vezes sim. Sem grandes complicações, na simplicidade de sermos simplesmente quem somos.
A todos os que, de uma forma ou de outra, presentes ou não, me ajudaram a dar mais este pequeno passo, o meu enorme agradecimento. Se, tal como ontem tive oportunidade de dizer, a escrita é um acto, quicá, solitário, editar, dar à estampa, à tela que seja, é um acto de partilha. E, com toda a certeza do mundo, gosto de partilhar.
Aos poetas desta Colectânea e à Minerva, as maiores venturas. A todos os que por aqui passam, anónimos ou não, um bem-hajam!
Mel (diminutivo e não nick, como vos disse ontem) ou .... Maria Amélia de Carvalho. Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/44695.html Mulheres d'Atenas - 2008-09-26 03:49
agora os teus pulsos sobre os meus
e os dedos
ágeis, soltos,
à urgência carcerária dum novelo por fiar
roca
fuso
rubros os fios incandescentes.
mítica a paisagem a interpretar
(vermelho o fascínio da viagem…)
agora o fabuloso, o indizível fio de seda,
casulo pálido, gemado, d'albumina
(ainda)
e um Sol alaranjado a despertar
nascente
do arrojo de ser pedra primeira
onde descansas
insulada pedra (seja; sejas)
esmeralda
verde de um olhar.
o mar aqui, o mar ao lado, o mar ao largo
e a concha
do tempo ecoado em nós. desassossego
dum búzio colado ao teu ouvido
de várzeas latas, trigo maduro,
de latitudes reconhecidas
e jornadas postergadas e logo retomadas
em tatuagens de pele num voo rasante…
[e pássaros inquietos
d’olhares meninos ...]
e nichos
de pedra branca, ninhos íntimos
secretos, de nós
animais
insectos
corpos astrais colididos em movimentos
lentos
ao epicentro de luz
pendular a
palavra
a lama e lava
(e o teu gesto ternurento que m'afaga )
no vagar da tarde as minhas penas
a roçagar insanas a tua pele
ternura
num canto helénico que s’ ecoa manso à fome de tua boca
e tu nu, aqui,
em forma dissimulada de seres poema
e eu,
simbólica míngua de todas as mulheres d’Atenas...
![]() (imagens daqui)
Caros amigos, no próximo Sábado, dia 14 de Junho, em Lisboa (Benfica) será apresentada à imprensa a Colectânea Poesis XVI , com a chancela da Minerva, de que me honro fazer parte. Gostaria de vos saber presentes. Grata pelo vosso carinho. in http://antologiapoiesis.blogs
Todas as informações: http://www.luso-poemas.net/modules/newbb/v Fonte: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/44294.html | ||||||||||||
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