Luso-Poetas
Visualizar artigo na origem - 01Dez2007
DEUSATudo o que te envolve e tu sorves
Adiantam a fascinação e o mistério
Teu véu que te recobre em ti e o meu delírio
É a proteção impenetrável da minha cela.
Tuas mãos macias ao toque
Constroem a nostalgia da tua pele
Que não serviram ao meu anel de brilho
Tua pintura no rosto
É uma provocação à natureza
Teus indumentos e teus cheiros
São precisos em ti e a calma do mundo
Como a água ao sedento.
Eu me ponho sob tuas peles e tuas plumas
Devoro os teus espartilhos de seda
Para beijar tuas montanhas quentes
Que regurgitam em meu poema
Escancaro a tua túnica, cor misteriosa
Para me confortar em teu ventre ardoroso
Que aumentou o mundo ao lhe dar um homem a mais.
Tuas vestes cativas de um plano iluminado
Chegam ao lastro celeste pelas nuvens e as estrelas
Por tuas visões teus desejos tuas reações.
A natureza inteira
É dividida para ornamentar o teu corpo
Florestas inteiras são dizimadas
Declinam até o fundo das minas e dos fundos
Movimentam máquinas, tecelões
Largam as aeronaves ao leu
Arrebatam-se pelo poderio sobre a terra
Matam, morem, se infringem, pelo teu corpo
O mundo se esvai de ti, e vem desembocar em ti
E te mira estupefato e apaixonado
Arco-íris da terra
Fonte dos nossos ais, de nossas alegrias.
Tudo o que te compõe, desde teus sapatos
Está ligado ao pecado e ao delírio
À Deus, ao sobrenatural.
Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/11/deusa-tudo-o-que-te-envolve-e-tu-sorves.html
Visualizar artigo na origem - 08Nov2007
QUANDO PENSOQuando não se pensa em nada
Há um mundo repleto de coisas ao nosso redor.
Mas quais os elementos que compõem o mundo?
Quase sempre eu não sei dizer o que penso do mundo.
E se eu estivesse acometido de um devaneio
Uma doença dos sentidos, pensaria assim.
O que penso das outras tantas coisas que estão aqui.
O que eu saberia dizer disto, dos efeitos e de suas razões.
Quando falo em Deus, saberei a quem me refiro,
E a alma, esta volátil, dela o que dizer, objetivar?
Penso na criação do mundo, em quem o fez,
E pensaria coerente, caso visse tudo à mostra?
Não saberia dizer a ninguém
Embora isso me interesse
Mas não fizesse sentido aos outros
Que também devem ter suas deduções alucinadas.
Pensar em tudo isso é sonhar acordado, de olhos fechados,
E deixar de pensar é impossibilitar aos olhos qualquer dedução
À minha cabeça, que inquieta insistentes vezes acertando às vezes errando.
O mistério das coisas é o mesmo que reside em nós
E as coisas também pouco sabem a nosso respeito.
O que seremos para as coisas com as quais nos confrontamos
Podem elas ter um juízo acertado ou malogrado de nós.
Quem está na noite e fecha os olhos em nada muda
E quem vai ao sol e fecha os olhos, perde-se dele falar.
É como se estar na noite, de olhos vendados; não se pensa nada.
Porque nada se vê e nada se tem para avistar.
Por que uma rosa orvalhada, vale mais que o que pensamos dela
Se quando nela nos abstraímos, a vemos inteira, como é?
Assim por mais que sejam insistentes os poetas
Ou os obcecados pelos mistérios que se encerram nas coisas
Às vezes desatinam em suas conclusões e transmitem
A outros que sequer contemplaram tais matérias
Ficam com essa crença, a deturpada noção
Do mundo, e de tudo o que ele abriga harmoniosamente.
Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/11/quando-penso-quando-no-se-pensa-em-nada.html
Visualizar artigo na origem - 26Set2007
UM BOM LUGARNão achas aqui um lugar tranqüilo
Para sentarmos e contemplarmos
As brisas passarem,
Os pássaros cantarem,
O beija flor, o beija flor
E o seu insaciável amor.
Aqui não é o lugar mais certo
Para que os desacertos
Sejam corrigidos
E caia chuva, e vente os aromas.
No único lugar próprio do mundo
Para se pensar a calma,
Para se falar com alma
Pra se deixar chorar
Os olhos e o coração.
Aqui sob o alpendre natural da encosta
De um lado ramas reclinadas de flores
E de todos os rumos onde apontam
Nossos desejos, vê-se Deus, temos Deus.
Não é aqui verdadeiro, o lugar
Para eu soltar minha cabeça no teu ombro
E o teu corpo se apoiar
Enquanto a vida descansa. . .
Enquanto a tarde e seus burburinhos
Vão terminando.
Não é aqui no teu leito
Que cabe os dois mundos
O meu e o teu, e ainda cabe
O amor do tamanho que está.
Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/09/um-bom-lugar-no-achas-aqui-um-lugar.html
Visualizar artigo na origem - 22Set2007
ESTRADA
Esta estrada onde eu já passo por muito tempo
É nela que eu andarei, sem que ela finde.
Nela eu não mais me assusto
Tudo conheço, de quase tudo dela eu sei.
De vez em quando me espanto,
Mas até frente do espelho me assusta,
Mas quando abro os olhos,
Porque as vezes insisto
Em não parar e não dormir,
Vejo a mesma companhia, e sou sempre eu.
E os meus pés não se enganam ao pisar,
No leito desta estrada, onde tanto deixei,
Por ela eu sigo, e não voltarei.
O que deixei cair, ficarão lá onde estão
E se larguei, jhá não me interessam mais.
Voltar não se justifica,
Porque o que eu já andei, deixei, não olhei,
E andei sabendo que à frente é onde estão
Meus encontros assinalados, inevitáveis,
O que juntarei.
Não sou de juntar.
O que pegarei pra fazer o que for
Pra me espantar, de surpresa
Para eu andar com clareza
E tudo, amando, pegando,
Tudo um dia deixarei nesta estrada.
Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/09/estrada-esta-estrada-onde-eu-j-passo.html
Visualizar artigo na origem - 21Set2007
A LUAQuando ela passa tão suavemente,
Enche de amor os olhos da gente
Quando ela vai, quando ela vem
Clareia tudo e a gente sente.
Linda, como se fala ainda,
Dela que todos chamam de bela
Dona dos sonhos dos poetas,
Desvia o barco da procela.
Quando ela falta, a gente fica
Sentindo o mundo tão vazio
Claro que a luz é mais bonita
Claro clarão pelo infinito.
Bela lhe chamam e ela nem liga
Tela que Deus fez, a mais bonita
Claro clarão de amor, se diga
Ela é tudo que luz se fixa.
Quando ela chega tão levemente
Treme de amor o coração dentro
Quando ela parte tão vagamente
Deixa molhados os olhos, e se sente.
Quem disse que a lua é feia
Palavras do céu lhe faltam
Quem disse que ela não faz falta
Se arrisca... os poetas até enfartam.
Quando ela falta, a gente fica
Sentindo o mundo tão vazio
Claro que a luz é mais bonita
Claro clarão pelo infinito.
Bela lhe chamam e ela nem liga
Tela que Deus fez, a mais bonita
Claro clarão de amor, se diga
Ela é tudo que luz se fixa.
Quando ela chega tão levemente
Treme de amor o coração dentro
Quando ela parte tão vagamente
Deixa molhados os olhos, e se sente.
Quem disse que a lua é feia
Palavras do céu lhe faltam
Quem disse que ela não faz falta
Se arrisca... os poetas até enfartam.
Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/09/lua-quando-ela-passa-to-suavemente.html
Visualizar artigo na origem - 20Set2007
TEU NOMENos meus papéis importantes
Nos lastros planos das árvores
Na minha carteira de trabalho
No bolso da minha camisa
Eu escrevo teu nome.
Nas nuvens claras do céu
Na areia quando a maré alisa
No coração de papel
No balão que solto ao léu
Eu deixo escrito o teu nome.
Nas paredes em ruína
No casarões tombados
No cimento ainda molhado
Na meia na parte que se vê
Eu deixo o teu nome escrito.
Nos pés dos altares
Nas toalhas que sobram ao chão
Nos dias claros de verão
No meu casaco de inverno
Eu já escrevi o teu nome.
Tatuado no meu braço
Que se expõe quando a camisa arregaço
Nos meus dias de cansaço
Nos embrulhos que carrego
Está impresso o teu nome.
É como marcar-te minha
E em tudo que vejo e se aninha
O meu olhar de emoção
De ter-te comigo aonde eu vá
Te afundas em meu coração.
Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/09/teu-nome-nos-meus-papis-importantes-nos.html
Visualizar artigo na origem - 16Set2007
ACALANTOMuito antes de eu nascer já me acordavas com cuidados
Um anjo me designastes, antes de minha mãe pegar-me.
Ele me segurava quando eu corria rumo ao despenhadeiro
Ou quando me declinava sobre o precicípio.
Me embalava com canções compostas aí,
Serestas e acalantos, dormia ouvindo-os
Para aplacar minhas investidas nos caminhos da cruz.
De noite eu sentia cada passagem do Arcanjo
Sob minha rede armada no entrar do quarto,
E se ausentar nas estradas altas par o céu.
Após e tardiamente, uma mulher deitou-se do meu lado
Tinha uma forma de anjo fêmea,
E na minha vida, já se diminuíam os cuidados do tempo.
Se não for do puro atrevimento, manda-me o teu anjo
Para que cuide de minhas feridas expostas,
Para que resfrie a minha boca:
Há momentos em que mesmo a vontade não me convence
É necessário que eu te veja inteiro, rente aos meus olhos
É preciso que eu me veja em ti
E que encare os sofrimentos como um sol claro
A tua luz subindo e descendo sobre minha vida.
Manda o teu anjo que com ele eu aprendi a falar
De coisas que por aqui, nas divagações de mim,
Não mais sei contar a ninguém
Nem mesmo à mulher que dorme comigo
Nem mesmo o homem que soube ser meu pai.
Não és tu meu pai, que já flutua, que já é anjo
Meu pai, de verdadeira saudade lá bem de dentro de mim.
Manda-me essas pessoas todas
Para fazerem um coro, para eu poder dormir.
Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/09/acalanto-muito-antes-de-eu-nascer-j.html


