|
||||||||||||
Menu
meuBlog
Podcast
Luso-Poetas
Poemas de ...
Flávio Silver
José Torres
Valdevinoxis
Testes
Pub
Teste de PUB
AdSense
Exibir pesquisa
AdSense
Bloco-1
iPub
Estatísticas
Luso-Poetas
Lembro da terra que me naturalizou Relendo sua história num papel de pão.Lá nada se via nada se ouvia. De suas estradas trançadas Nenhum barulho, nem silêncio Chegavam ou por uma boca ou por uma mão. E num saudosismo de poeta esquecido Sinto doer meu coração já tão distante Quatro, cinco casas, dez, vinte gentes Povoam ainda hoje minha cabeça Como se a morte naquele lugar agonizado Nunca passou e ninguém se foi. Podia já haver morrido. Lembro que às seis horas da tarde As cigarras cerziam segredadas Seus cantos de dormir. E as mesas se floriam De toalhas estampadas, de muito uso. Que viravam lençóis Depois mudavam para vestidos E se puíam e ao monturo serviam. Lembro desse lugar Pelas notícias que traz minha alma Todos os dias, quando chega para o pernoite E fala dormindo, e me diz de Arlindo, findo. E se refere aos de minha idade Que nunca saíram para ver a cidade E ainda se submetem aos golpes certeiros Da enxada amolada na pedra Ao machado que esquece da árvore E lhes procuram as pernas. Pobre lugar. Que triste situação. Naeno O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/10/meu-nada-lembro-da-terra-que-me.html "> CORTES NO PÃO DE AÇUCAR
No cume dessas colinas Sei quantos bilhões de anos Contemplam-nos. Neste despenhadeiro descobri A minha terra/ crus e delícia Saudade minha amada. Neste elevado triscando o céu Nomeei-me poeta. Aqui me detive em estórias Mais perto da verdade que fazia meu juízo Mestres, molengos, máxime Entre cantos gregorianos e foles Aqui aprendi Dou-me a ser Espiritualmente semita Alimentei-me de Índias. Daqui vi crescer A novíssima Israel: Karl Marx, Freud, Einstein. Daqui pude constatar Picasso, Mallarmé, Strawinski Lutei com o Verbo Encarnado. Matérias fui para formas e criaturas. Aqui toquei imediato Ou por tangência e contaminação Múltiplas coisas enormes Visíveis invisíveis. À beira dessas encostas Muro inexistente Dasamei, amei Deslouvei, louvei Cedo me desarmei. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/08/href-normal-0-21-false-false-false.html DETALHE O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/05/noite-quando-noite-se-deita-lentamente.html
Seu belo vestido branco, organdi sobre cetim
Eu contemplei o seu ser transparente e firme Desde então eu percorro balançando o mundo O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/03/elegia-vejo-ela-chegar-soturna-aclamada.html Depois que a vida chorou pelos meus olhos E soprou a minha boca pela boca dela Temos sido assim amantes barulhentos Quando em nossas encruzas Mostramo-nos os dentes. Depois de fincada no chão uma semente, Pelas mãos dela, e eu era um silente Pequeno grão suado por sua mão fechada E ali já germinava, e ali eu florava. Aflora agora uma vida em dormência Sob os caprichos dos seus pés, fui Calcado, e transplantado tantas vezes Por não ser o enfeite pra sua janela aberta. E eu não pergunto de mim a ela Não incomodo a dona dos arados, E o que quer de mim, nessa lavoura úmida? Que eu chore, que me decline. Serão meus frutos de sabor ruim, Que ela não arreda o seu olhar, E quando eu digo gosto desse canto, Ela me espanta apontando um outro igual Faz-se arrendatária, também de mim. Eu me iludo que com os outros. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/03/vida-depois-que-vida-chorou-pelos-meus.html Mistura-se entre tantas, menos uma. Ocupa minha cabeça nas noites e nos dias. A forma de uma mulher Mais encorpado que um modelo. Desejo que me acompanha De uma lua até outra. De um outro caminho, de um outro temor Que me transplanta do tempo e salta o passado Que me afasta de mim mesmo. Que me divide em dois, como um riacho Que causa em mim medo e febre Que se adianta frente à sombra dos órfãos e miseráveis. Uma forma que se expõe por todos os poros do meu corpo E só não é o mal, posto que não dói É um alívio ante a verdade, muito mais certa, de Deus. Amor Te darei a alegria extrema e fácil Do que não se tem de esperar dos outros. Te darei a cantiga dos saudosos O suspiro do menino que olha em vão O brinquedo guardado de minha outra vida Te darei a nostalgia de quem foi feliz Em tempos muitos remotos. Amor Te darei a tristeza do que nada encontrou em sua missão. Te darei o desconforto do que está se perdendo. Pelos males que não cometeu Pelas loucuras de outros em outros tempos. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/03/aceita-uma-forma-de-um-espanto-mistura.html Não é preciso somente abrir a janela E deparar-se com a claridade De todas as manhãs. Ouvir o mais nítido barulho dos riachos Que passam rentes as encostas, Levando peixes e pedras sobre seu piso liso. Nem consternar-se com o vozeio Da vida que se faz lá fora: Os que passam, os que ficam, Esperando e levando, sonhos E a vida para o sacrifício. Muito mais necessário fica Coitado de quem nasce e lança a olhar o mundo O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/03/minncias-no-preciso-somente-abrir.html COMO SE DEUS FOSSE INÚTIL Não abra seu coração Como quem abre porteira Ou escancara cancela Ou desmantela um oitão. Não abra seu coração Como se Deus fosse inútil Ou se sonhar fosse fútil Ou se viver fosse em vão. Não faça do seu sorriso uma alegria a esmo Seja você sempre eu mesmo Dentro do seu coração. Deixe o seu riso lindo Iluminando o luar Banhando as ondas do mar Com sua luz sedução. Mas não permita ao abraço Afogar um barco a vela Destroçar uma aquarela Desativar o que vejo. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/02/como-se-deus-fosse-intil-no-abra-seu.html
E quem dirá, certo, a estrela da manhã Tudo me chama para passar dos meus limites O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/02/cantai-alma-eleva-o-incensrio-da-beleza.html Eu continuo o implacável Continuo aqui, sóbrio, sem amor, sem amar Continuo o mesmo idiota, que viu o teu retrato O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/02/do-mesmo-jeito-eu-continuo-o-implacvel.html O momento esperado, o silêncio das ondas. O sobressalto que o mar não tem mais para agora Enseja com a minha coragem e minha própria tormenta De navega-lo, remando o meu amor Singrando, faltando-me a visão do porto. Ainda não me digas Se pernoito ou sigo Deixa-me ver teus olhos na manhã A minha pressa são a claridade nova A tua boca falando por mim E o mar não me diz mais assim Do modo impenetrável Intransponível como via a minha alma Que já se alenta e se acalma, e se detém Fintando a tua face docemente Do que já virou fagulhas O mar é só um refletidor Uma lembrança mais perto De todas as manhãs que vão chegando De todos os sins que de tua boca Correm no vento, vão se espalhando Pingando este céu de águas Molhando os meus olhos de esperança. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/02/o-silncio-o-momento-esperado-o-silncio.html Eu conheci a casa de um desafortunado Nela vivi quase toda minha vida, Apanhei gravetos para os invernados, Puxei gavetas e guardei retratos, Um arquivo morto de mim retirado. Eu andei por dentro da casa cumeada Tropecei pelos atalhos, cadafalsos Troquei uma vida, que me dera, inventada Por uma que eu vi de perto, andando enfalço Fui o primeiro desordeiro do motim. Não tive nunca uma gota de raiva. E foi assim, andando, dentro e fora dos pântanos Que hoje dou graças à sorte fora de mim. À imaculada virgem, mãe da Conceição O meu amparo, de quem mais eu vi nos olhos, A minha amada, o tempo todo cortando a rota Dos desamados, sempre me trouxe por sua mão. Fiz pisoteio até o cultivo das pedras guardadas E vi a festa da colheita das formigas, E disso eu disse, com o coração e alma aflitas: - Não me descanso, mesmo quando estiver sentado. E da lavoura que os cupinzeiros demarcavam, Das espigas de milho bem debulhadas, Pus o sabugo como mastro da bravata, E lutei só, com Conceição, nela amparado. Olha-me Deus, no que escrevi, Eu relatei a minha vida e Vos traí, Era um segredo até o tempo por vir, Até cansar, e cansado, aqui cair. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/01/desafortunado-eu-conheci-casa-de-um.html Às vezes eu acordo pra ver estrelas E choro vertiginosamente. E minhas lágrimas brilham E meus olhos se enchem de astros flutuantes. Sinto dores no silêncio E silencio tudo que em mim é barulhento Traiçoeiramente acordado de um sono escuro Mergulho copiosamente por entre belezas, acordado. Transtornadamente imergido na noite. Todas as dores estão sobre mim Tudo em mim padece, sofre e se esquece Que não acordei por querer, Que ninguém busca a brasa acesa E pisa sobre ela a encandear-se Porque a carne se mostra Em uma triste revolta e se expõe, Paradoxalmente, ao sofrimento. O meu peito na dura opressão Não se contenta com a brisa fria da noite. Marcas de ferro e de fogo, Prodígio gozo de uma alma penitente. E o meu espírito partido Vê-se entristecido, E não se abstrai com o que tem de sofrimento. Como uma presença que não me distingue. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2008/01/parceriros-o-sol-foi-minguando-saindo.html A primeira estrela que eu vi esta manhã Estava chorando. E por sua dor impregnada em mim Declinei o meu rosto e chorei também E eu só vim perceber Porque pensei, chover E dissimulei: chover do nada Nenhuma nuvem Foi quando a vi soluçando e triste. Os pingos de suas lágrimas Faziam esta chuva Uma chuva de gotas contadas Mas que o chão todo molhava. Os olhos de uma estrela Não são como os nossos Que sequer dão para lavar o rosto Elas lavam a vida inteira Elas comovem o mundo inteiro E assim todos, como eu, choram. Choram da estrela chorando Choro da do que suas lágrimas Vêem prenunciando. Tomara seja a solidão do tempo Porque todas as outras estão imersas No escuro, um domínio protetor. -Não chore estrela Não chore A companhia dos homens não te basta. A nossa comoção pelo teu infortúnio Não te alargam a visão de uma manhã venturosa Acompanhada de todas De todas as noites, o lindo estrelar. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/12/choro-da-estrela-primeira-estrela-que.html Tudo o que te envolve e tu sorves Adiantam a fascinação e o mistério Teu véu que te recobre em ti e o meu delírio É a proteção impenetrável da minha cela. Tuas mãos macias ao toque Constroem a nostalgia da tua pele Que não serviram ao meu anel de brilho Tua pintura no rosto É uma provocação à natureza Teus indumentos e teus cheiros São precisos em ti e a calma do mundo Como a água ao sedento. Eu me ponho sob tuas peles e tuas plumas Devoro os teus espartilhos de seda Para beijar tuas montanhas quentes Que regurgitam em meu poema Escancaro a tua túnica, cor misteriosa Para me confortar em teu ventre ardoroso Que aumentou o mundo ao lhe dar um homem a mais. Tuas vestes cativas de um plano iluminado Chegam ao lastro celeste pelas nuvens e as estrelas Por tuas visões teus desejos tuas reações. A natureza inteira É dividida para ornamentar o teu corpo Florestas inteiras são dizimadas Declinam até o fundo das minas e dos fundos Movimentam máquinas, tecelões Largam as aeronaves ao leu Arrebatam-se pelo poderio sobre a terra Matam, morem, se infringem, pelo teu corpo O mundo se esvai de ti, e vem desembocar em ti E te mira estupefato e apaixonado Arco-íris da terra Fonte dos nossos ais, de nossas alegrias. Tudo o que te compõe, desde teus sapatos Está ligado ao pecado e ao delírio À Deus, ao sobrenatural. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/11/deusa-tudo-o-que-te-envolve-e-tu-sorves.html SOBREVÔOA aeronave leva a bordo a palavra silêncio. E sobrevoa o mundo, organismo abstrato A aeronave desobstrui os caminhos, se inclina Como os movimentos dos anjos de azas. Mundo ultrapassado, vê-se outra esfera: Ressurge o mundo, num contorno, à passo. No mundo tinha minha ração de silêncio, ainda maior E pude permutar meu ângulo de ver e escutar E decifrar os códigos do meu enigma Deus proveu-me de estatura, desde o começo No ermo acima, na aridez da minha fome e sede. Concedeu-me tocar o íntimo da minha história Eu, que sou o que não se afigura, o não escolhido O que não foi implantado, o que sempre se completa Sustentado pelo sol, essência que reanima carcaças Uma criatura que não é um ser De amor afundado pela carência ou tudo O que jamais abriu a boca, nem conjectura uma alegria Mora no tormento, no volume Sem o mundo e com o mundo Que la cidad? porque la cidad? Severo e castigado mundo O espaço que criou o espaço A pedra macho do mundo Que esconde os segredos. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/11/sobrevo-aeronave-leva-bordo-palavra.html QUANDO PENSOQuando não se pensa em nada Há um mundo repleto de coisas ao nosso redor. Mas quais os elementos que compõem o mundo? Quase sempre eu não sei dizer o que penso do mundo. E se eu estivesse acometido de um devaneio Uma doença dos sentidos, pensaria assim. O que penso das outras tantas coisas que estão aqui. O que eu saberia dizer disto, dos efeitos e de suas razões. Quando falo em Deus, saberei a quem me refiro, E a alma, esta volátil, dela o que dizer, objetivar? Penso na criação do mundo, em quem o fez, E pensaria coerente, caso visse tudo à mostra? Não saberia dizer a ninguém Embora isso me interesse Mas não fizesse sentido aos outros Que também devem ter suas deduções alucinadas. Pensar em tudo isso é sonhar acordado, de olhos fechados, E deixar de pensar é impossibilitar aos olhos qualquer dedução À minha cabeça, que inquieta insistentes vezes acertando às vezes errando. O mistério das coisas é o mesmo que reside em nós E as coisas, também pouco sabem a nosso respeito. O que eremos para as coisas com as quais nos confrontamos Podem elas ter um juízo acertado ou malogrado de nós. Quem está na noite e fecha os olhos em nada muda E quem vai ao sol e fecha os olhos, perde-se dele falar. É como se estar na noite, de olhos vendados; não se pensa nada. Porque nada se vê e nada se tem para avistar. Por que uma rosa orvalhada, vale mais que o que pensamos dela Se quando nela nos abstraímos, a vemos inteira, como é? Assim por mais que sejam insistentes os poetas Ou os obcecados pelos mistérios que se encerram nas coisas Às vezes desatinam em suas conclusões e transmitem A outros que sequer contemplaram tais matérias Ficam com essa crença, a deturpada noção Do mundo, e de tudo o que ele abriga harmoniosamente. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/11/quando-penso-quando-no-se-pensa-em-nada.html POETAA vida do poeta tem um batimento disforme E um momento pendular de subir e descer, ofegante. O poeta é o caule-pai do enxerto do sofrimento Das dores inexplicáveis, mas que lhe fartam os olhos de candura. O poeta tem a alma de uma parte do universo prescrutado O invisível que ninguém imagina e não se compreende. Ele é o eterno caminhante por veredas irreconhecíveis Por onde passa, socando a terra com os olhos para o céu Coberto pelo espesso fim aonde não se chega Ensolarando com o seu próprio raio a vista da vida. O poeta tem o coração minúsculo dos pássaros, E a inabilidade das pequenas crianças. O poeta sofre, chora, e passa a mão nos olhos Pranteia leve, com lágrimas de néctar, de águas coadas Olhando o ermo, imenso, espaço do seu espírito. O poeta ri-se, e ri naturalmente Sorri para a vida, para a boniteza, para o carinho Sorri com suas lembranças da mocidade, melhor que agora O poeta tem uma alma de bondade. Ele ama as mulheres todas as mulheres puras e tocadas Sua alma lhes entende na luz de suas impurezas É repleto do amor aos reveses da vida E é de amabilidade para os gestos da morte. O poete não se esquiva ao presumir a morte. Seu sentimento adentra a sua percepção calma E o seu poder criador de poeta tê-la cheia de muitos enigmas E a sua poesia é o sentido de sua permanência Ele o constrói imenso, ornamentado e pobre E o afaga em vendo-o sôfrego e o acalma na agonia. A vida do poeta tem um batimento indecifrável Ela o leva andarilho pelas veredas Calcando o chão e mirando o céu Enclausurado, eterno, dos limites invisíveis. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/11/poeta-vida-do-poeta-tem-um-batimento.html ANUNCIADAO Anjo sobre o assoalho do quarto Onde a jovem intocada Cuida das crianças órfãs E dos doentes que não andam. Mudou-se a realidade no tempo De tudo fez-se uma claridade estupenda Naquele quarto humilde e de nada As agulhas e as linhas multicores Costuram a claridade da luz Tudo se confunde, Ninguém sabe mais do anjo Se é ele mesmo ou Maria. A tarde se inclina do dia Estanca o respirar ofegante Ai o espírito segredou: - O nosso Deus mandou-me te saudar A mais cândida entre as mulheres A mais bela entre as criaturas, E mais santa, do que uma mulher. Deus, entre todas, escolheu a ti Para gerar e fazer nascer o Salvador. Serás cortejada um dia À frente de todos os anjos À mesa posta para o teu dia. Também serás perfurada Da espada de muitas dores. A noite já está se vendo, Adeus imaculada, adeus. A reluzente não se perturba Inclina o corpo de serenidade - Fala-me mais anjo lindo Se fores já leva um meu recado. - Eu sou à disposição de Deus Tudo o que Ele quiser de mim Ordene-me e eu cumprirei. Minha vida nas mãos do Altíssimo Eis que esta bela notícia Os meus olhos encherão Ora de muita alegria Ora de tristeza e medo. Mas custa menos que o meu labor As agulhas e estas mãos tão pobres. O anjo ergue-se pelos braços Vai, a moça contristou-se Sob a sombra dele emergindo do ar Deixa marcada uma cruz no chão. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/10/anunciada-o-anjo-sobre-o-assoalho-do.html MEU SANTINHOQuem acolhe a fome e a sede de São Francisco, Que areolado de garranchos Imitados os espinhos de Deus, Passa em tua porta e não se encosta Pois se honra com a tua mão voluntária Direita, pelo lado de fora, Dizendo: Entrai o Santo que mais me atrai. Quem pode com o santinho franzino Vestido em marrom um dobro sino, Uma confusão trabalhosa, Entre o supremo e a estátua Que frente, ao que se pede se curva. Quem veste e quem empresta para comprar, O Santo que não deve nada a ninguém Que numa atitude, por Deus, deu-se ao povo, deu tudo. O seu legado, a esperança pra muitos ricos. E Ele um franzino que pra se equilibrar Nos sobe e desce dos caminhos, Mantinham-lhes altivos pássaros, Amavam-lhes os animaizinhos. Lá vai São Francisco, parece que comeu. Parece que bebeu, Parece que trocou de túnica, Parece mais sustentado, ou será Deus? O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/10/meu-santinho-quem-acolhe-fome-e-sede-de.html Algo de enigmático e indefinido Durante cinquenta anos viveu entre mim. Uma provisão de amor Uma vida sem mudanças. Que amava tantos: os pássaros e a natureza. E sempre estivera à espera da doçura Mas veio a violência em rajadas, Vieram o pânico e a febre. Não lhe pude ver tristonho nem chorando Recebi o recado, na minha recaída. Depois que as roseiras começavam a fenecer Sobre o seu jardim, arado por mim. Hoje ele existe para mim Em uma vida mais forte, em plenitude, A mesma vida que ninguém pode arrebatar Nem o tempo, nem a espessura, nem os anjos maus Que torturam a minha infância árida. Hoje ele vive onde escolheu ficar Com a doçura que sempre desejou, Alcançando, enfim a sua visibilidade E a paz, de um ser ofuscado pela quietude. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/10/meu-pai-saiu-algo-de-enigmtico-e.html Brotarei do chão De outras terras com um novo olhar. Largarei minhas partes comprometidas, Legado do mau Não me pisarão os pés, Mais alucinações verdadeiras Nem mais serei a luta Entre a apuração do meu espírito Para a subida Tenho de lançar fora a minha pele indefinida Fada de mim mesmo, Alma despejada Abraçada às construções de fora, Da indecisão de ir Me redescobrirei Em planos de fatias do céu, E terei uns olhos De criança nascendo de novo No coração dos que amam, Na escadaria do espaço, Na derradeira luz dos velhos Que morrem, no sonho de Deus E em todos os lugares Onde houver alguém que sofra e ame. Aqui não me permito fazer tudo o que penso. Me largarei de mim mesmo Quando a luz que ofusca For notada pelos cardumes humanos Que vacilam, E a minha alma perfurar os espaços à frente. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/10/serei-brotarei-do-cho-de-outras-terras.html NATURALNão sou a perfeição dos homens. Oras sou oportuno, oras atrasado, Mas vivo na estrada de boca aberta, Engolindo vento, mordendo mosquitos, Ás vezes sou um todo esquisito, Quando paro aprendendo. Tento por vezes decifrar O que querem dizer os pássaros, Porque quando um fala o outro responde, E o sentido, a razão, as palavras, Correm acima de mim, em cima. Sob o que vejo as imagens se entortam, Olho dos fundos, da outra porta, Ainda me conforta notar a porta, Que porta é coisa difícil de encontrar. Por ser detrás, debaixo, vejo, O pouso lento do anjo alvejado, E vejo a queda e ouço o grito Que o pai blasfema lá do infinito. Não sou a solução dos homens, Sou como barro, ainda nestas esperas, Secando ao sol, só eu e o sol, Estado natural da vida, só. Não sei nada mais que nenhum homem, Sei do meu nome, mais dos feitos, Dos meus defeitos, menos, do jeito Como se como, como se bebe O que não se acha, o que não se serve. Deus cuidará, deus guiará, deus quimera, Dos meus dias que já me esperam. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/10/natural-no-sou-perfeio-dos-homens.html DIALÉTICA Todas as formas ainda se encontram em esboço. Tudo passa em eterna transformação E o universo anda rápido, Na última engrenagem conectado. Arranquemos as árvores que se antepõem às outras O som da lira muito antiga Seu toque de música É dado aos ouvidos e ao coração de todos. Cada novo poeta que começa Por escrever sua sentença, observe a fôrma. Amarrai-lhe uma corda. Uma vida velha, já com mais e mil anos Pode ter seu complemento e apogeu Só nesta vida que se inicia agora. Nada poderá silenciar e se interromper Nem quebrar a unidade do mundo. Uma bactéria foi criada no princípio Para que se infiltre em vários planos. Nossos suspiros, nossos desejos, nossas dores São fincados no campo que não tem fim Pelo espírito calmo e sabedor de suas intenções. A muitos, só a alternativa de lhe impor o lixo É a saída, é a entrada, e uma saída sábia Que lhes coube na tendenciosa partilha da vida Senão uma angústia atroz sem pureza, e a doença da alma Não escutaram a música do nascer do dia, Do farfalhar das árvores ao vento que não lhes toca, Nem assistiram à contínua promessa Nem ao seqüencial parto das novas espécies. Não lhe oportunizaram ver a noite desprovido de pavor Guiam-se pelo castigo e a sombra de seus feitos. Comendo pó e bebendo seu próprio suor, No entanto a transfiguração vem antes da morte. Cada um deve assumí-la em carne e espírito Para que a alegria se complete e se torne definitiva. É preciso conhecer seu próprio abismo Aquele a que seus pés estão ancorados, Amarrado por um cordão umbilical, rompendo. Tudo no mundo anda, e anda para esperar; Nossa existência é uma louca expectativa Onde se encostam o princípio e o fim. A terra terá que ser partida entre todos Tudo anda para a o modelo perfeito: A aurora é um sonho coletivo. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/10/dialtica-todas-as-formas-ainda-se.html PRONTONão te redime a alma encabulada Esse fogo nos teus olhos de tição Como alguém que faz Uma únca refeição E corre ao pote E bebe o meu sangue Querendo-me cativo dos teus desejos. Em mim nem fumega mais A chama que se avistava Do meu coração queimando. Fomos o chão, fomos muito adiante Do que os limites da estrada batiam. Agora não beijo-te mais Com a boca mentirosa, não... Verto mais o alimento de que vivias Agora engordo e tu definhas. Ou eu me elevo e tu declinas. Ou eu afino e tu de formas Ou eu me esvaio e tu de inclinas. Sei que vês, não porque tenhas olhos. É que a figura de mim agora se nota Como um mártir do amor Um incenso que queimou E cheirou até quando se acabou. O amor so serve para deixar saudades Fonte: http://poemusicas.blogspot.com/2007/10/pronto-no-te-redime-alma-encabulada.html | ||||||||||||
